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Dois bicos

A nova configuração geopolítica do Planeta vai-se insinuando, ao mesmo tempo em que são, timidamente ainda, anunciadas as novas relações entre as nações. A proclamação do fim da História, que Francis Fukuyama viu como consequência da queda do muro de Berlim e seu desdobramento mais palpável, a ruína da "cortina de ferro", hoje soa ridícula. Levar para território europeu suas divergências com a Rússia fragilizada, serviu pouco aos Estados Unidos da América do Norte. Intrometeu-se nesse complexo processo, primeiro a China e sua emergência e crescente influência na política internacional; depois, a aproximação dos países a que se tem chamado emergentes. Com a própria China integrando o novo grupo, ao qual é impossível negar protagonismo. Afinal, mais de 40% da população mundial já o integra, e é maior que 30% o valor da riqueza produzida pelos seus 10 integrantes. Outros 13, alguns favorecidos pelas reservas de petróleo e gás, batem à porta do BRICS. Ao declínio dos pretensos donos do mundo correspondem fenômenos resultantes do processo social que Fukuyama disse (embora depois, quando Inês já era morta, o tenha desmentido) encerrado. A China, que parece apreciar tudo de camarote bem instalado, é quem mais se tem favorecido. O Brasil, em cujas mãos está o Banco do grupo, mas não só por essa circunstância, tende a desempenhar papel importante na geopolítica mundial. Os demais países-membros, titulares ou não, gradativamente poderão ter papel destacado nos novos arranjos. A Rússia, porém, mesmo sendo parte originária do BRICS, ainda enfrentará dificuldades. Trump espera de Putin uma divisão do território ucraniano, para fechar as contas. O pau terá que quebrar um dos bjcos. Enquanto a Europa acorda de sua conveniente e cúmplice letargia. A OTAN que se cuide. Ou mude de lado.

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