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Anômico, também anêmico

Uma sociedade entregue à vontade individual, em que as relações sociais rejeitassem regramento aplicável a todos, certamente seria uma sociedade frágil. Facilmente seriam desencadeados processos entrópicos, ao final dos quais nada resultaria, além do caos. Alguns poderiam dizer que trato de hipótese com nenhuma probabilidade de chegar à realidade. É isso, contudo, ao que vimos assistindo, desde quase uma década. A alegada judicialização da política, de que tanto se têm queixado agentes públicos e lideranças privadas, em todos os níveis, escancara a aversão de certos segmentos sociais a padrões mínimos de civilização. De 1988, quando a Constituição apelidada cidadã passou a viger, até o golpe dado na Presidente Dilma Rousseff, a busca da resolução das pendências justificadas pelos interesses em jogo era levada sem problema aos tribunais. Nas diversas instâncias do Poder Judiciário era travada a disputa, ainda mais porque vivíamos o Estado Democrático de Direito. Submetidos, ainda e felizmente, aos limites impostos pela república. Não tem sido assim, desde 2015. Fragilizada em consequência da ação deletéria dos negacionistas de toda espécie, a democracia parece comprometida. Tantas têm sido as agressões partidas sobretudo da direita, que se torna mera figura de linguagem afirmar a solidez da democracia brasileira. Ao contrário, vêmo-la cambaleante, ameaçada em suas próprias estruturas. O incessante ataque às instituições democráticas, a começar pelo Poder Judiciário, imiscui-se nos demais poderes, tomando letra morte mesmo as regras pétreas contidas na Lei Maior. Ponto destacado das agressões, a tentativa de atribuir às forças armadas o papel moderador exemplifica a aversão aos próprios fundamentos republicanos. Com o que, num certo sentido, vêem-se escorrer a seiva democrática e os ingredientes jurídicos que a integram. A anomia, então, põe a nu a anemia cívica e política essencial à manutenção da tão louvada e desejada(e ainda não alcançada) democracia. Menos ainda se vislumbra, a curto prazo, a superação das desigualdades inerentes á república, onde quer que ela se instale. Animemo-nos, portanto, a participar de amplo movimento social que, superando o estado anêmico, supere, também, a realidade anômica dos que desejam impor sua vontade aos demais cidadãos .

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