A única saída para a direita
- Professor Seráfico

- 24 de set.
- 2 min de leitura
Fôssemos todos ermitões, talvez menor fosse nossa expectativa de vida. Talvez nem se pudesse chamar de sociedade o ambiente no qual convivemos, ora em próxima vizinhança, ora geograficamente distantes uns dos outros. Não teríamos, igualmente, chegado ao extraordinário avanço tecnológico. Em compensação, estaríamos mais próximos da natureza e nossa ética seria diferente. Pouco caberia a cada um, para além do que exigem as necessidades da pura sobrevivência. Não seríamos mais que símiles perfeitos dos outros animais. Seria descabido, então, falar de processo civilizatório e civilização. Uma vez superada essa hipótese, e transformado o Planeta na aldeia global como a nomeou Marshall Mac-Luhan, todo e qualquer raciocínio restaria inútil e vão, se a perspectiva individual orientasse as reflexões e a conduta dos indivíduos. Estes, como se sabe, têm conquistado direitos, como forma de defesa contra os poderosos. A captura do Estado pelos mais abastados acabou por engendrar mecanismos de crescente controle das sociedades. E produziu, onde quer que tenha chegado, o aprofundamento de desigualdade cada dia mais difícil de superar. Ao mesmo tempo em que o século XXI foi anunciado como o primado do individualismo, a tal ponto ele mesmo construiu paredes e fossos cuja destruição não é exequível, se percebida como tarefa individual. O que esclarece essa situação é a aproximação entre nações e países diferentes, de que dá conta, hoje, o BRICS. Se a OTAN (para ficar no exemplo mais patente e ameaçador) representa o esforço coletivo por manter o imperialismo, a nova organização de que o Brasil, a Rússia, a Índia e a China são os pioneiros, traz a perspectiva de encontrar e oferecer à sociedade planetária soluções com alto teor coletivo. A única resposta que os reacionários ainda podem encontrar, incivilizatória e odiosa, está no arsenal atômico. Esse, mais um problema que se coloca, e por isso não deve ser negligenciado. Fora dele, porém, não há alternativa à direita, pelo menos a extrema, se pretende impedir a sociedade de fazer-se melhor.

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