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A pátria dos calhordas

Viver mais de oito décadas traz com os achaques inevitáveis, certa riqueza à mais gratificante experiência humana - a que se chama Vida. Toda e qualquer dor física parece encontrar compensação na conduta observada de certos espécimes, diferentes dos demais de sua própria espécie, animais todos eles . Mesmo dentre os ditos animais superiores, há diferenças individuais marcantes. Muitas vezes, até maiores que as verificadas entre os que são objeto da zoologia, em relação aos demais. Desfalcados de virtudes cada dia mais escassas, muitos desses indivíduos ostentam miséria interior que os torna assemelhados aos que recheiam os tratados de Zoologia. Ocos de pensamentos, vazios de bons sentimentos, esses mortos-vivos pensam pairar sobre tudo e sobre todos, no patético afã de encontrar seu lugar ao sol. Sem se darem conta sequer, de sua miséria intrínseca, que bilhões de dólares não lograriam superar. Nem outro qualquer sentimento ou alegação faria diferente a mensagem que sua imagem, repugnante sempre, expõe à observação e ao juízo dos observadores. Há os que tentam esconder a carência de humanidade na proclamação de um hipócrita amor à pátria, sem que saibam ao menos qual e onde está o objeto que sua hipocrisia proclama. Poderia ser um lugarejo escondido nos rincões e periferias do Planeta, como também o próprio Planeta, tenha ele a dimensão que tiver. Ou, mesmo, seja infinito. Essa porém, é cogitação que não lhes cabe no paupérrimo bestunto, A desmentir a célebre frase: cogito, ergo sum. A indigência mental, intelectual, moral torna-os prisioneiros do que trazem dentro de si mesmos. Sua pátria é e está misturada às vísceras putrefatas. Dizia outro, que a maçã podre infecta todas as demais maçãs da cesta. É o que se tem visto.

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