Voz universal
- Professor Seráfico

- 14 de ago. de 2025
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A eleição de Mílton Hatoum para a Academia Brasileira de Letras, na tarde de ontem, apenas confirma a imortalidade que o autor de Relatos de um Certo Oriente e outros livros que o seguiram já havia conquistado. Dos mais importantes romancistas brasileiros de nosso tempo, o amazonense chega à Casa de Machado de Assis depois de profícua e vitoriosa carreira literária. Seus trabalhos, traduzidos para outras línguas ou servindo a espetáculos de outras artes (novelas, séries televisivas, filmes) já garantem posição privilegiada no pódio dos que fazem das letras a forma de expressar sua humanidade e os compromissos políticos e sociais que animam sua vida. Os temas abordados por Mílton não se atêm apenas ao palco em que ele faz desfilar as personagens das sempre bem-estruturadas tramas, nem se deixa embeber pelo fácil ufanismo e por qualquer ranço de colonialismo intelectual e literário comprometedores da lúcida visão de mundo. Ao contrário, de olhos sempre presentes na Amazônia onde nasceu, o autor de Dois irmãos, Órfãos do Eldorado, Cinzas do Norte, Um Solitário à Espreita e Pontos de Fuga não perde de vista o mundo em que vive e os sentimentos, valores e questões de caráter universal. Vem daí a imortalidade que Mílton Hatoum vê hoje apenas confirmada.

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