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Robôs sagrados

Nélson Rodrigues, o mais simpático e criativo direitista que conheci, considerava a objetividade uma falácia. Ia ao extremo, identificando enorme afinidade dos objetivos com a mediocridade. Esta, não entendida com o mesmo sentido emprestado ao termo pelo filósofo e escritor Cláudio Giordano. Para esse, um teólogo paulista, o medíocre corresponde ao conceito de mediano, como o define a Estatística. Para o autor de A Vida como ela é, O beijo no asfalto e A dama da lotação, a objetividade é privilégio (!?) dos néscios, dos ignorantes, dos limitados em sua capacidade intelectual. Pouco afeitos a enxergar o todo e estabelecer relações dotadas da mínima percepção entre variáveis, tratam dos humanos como se todos a ele mesmo se igualassem. Ocorre, muitas vezes, de entenderem o texto lido, sem, todavia, alcançarem a adequada interpretação da mensagem. Muitos arrogam-se o direito de torcer os fatos, porque sua imaginação e a vontade que a determina limitam sua criatividade. Daí a incorrerem em equívocos, não é necessário sequer um passo. São capazes de escrever textos indignados, proferir palavras contundentes, ora em defesa do que chamam liberdade de expressão, ora resvalando para aplaudir a mentira, justificar atentados à cidadania e legitimar toda sorte de crime. Algo como aplicar o pão, pão, queijo, queijo, sem a menor possibilidade de ser feito um sanduíche, quente ou frio. Essa combinação de variáveis não lhes cabe na cabeça, infestada de ódio ao diferente, desdém pelo outro. Para o medíocre, o robô é o produto humano mais perfeito. Sua verdade é absoluta e a vida há de ser, sempre, a guerra dos supostos bons (ele mesmo) contra os maus (o diabo dos outros, como lembrou Sartre). A robotização, assim, seria o objetivo maior da vida humana.

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