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Dilúvio e maromba


 

Tanto quanto a multidão de turistas, os habitantes da cidade colombiana de Cartagena surpreenderam-se. O dilúvio que tomou conta daquele agradável lugar, na tarde do último sábado, não acontecera, pelo menos há duas décadas. Se for verdade o que nos disse o taxista de 24 anos, natural da ilha, aparentemente preocupado em nos devolver ao hotel. Todas as  ruas da cidade tiveram seu leito tomado pelas águas, de uma chuva iniciada à hora do almoço, persistente

 noite adentro. Embora estivéssemos a menos de 300 metros do nosso hotel (Casa Tere, calle de la Magdalena, 9-23)o jovem condutor fez-nos zigue-zaguear pelas estreitas ruas e algumas avenidas do centro histórico e do interessante bairro Getsêmani, durante uma hora. Quando o táxi foi inundado, as águas invasoras forçando-nos a levantar os pés, ele terminou por encontrar nosso endereço. Deixou-nos, por determinação nossa,  cerca de 30 metros do hotel. E cobrou 200.000 pesos colombianos, algo próximo de US$35, quando o preço usual fica entre 10 e 15 dólares. Aqui se confirmou ter sido apenas aparente o interesse do taxista. Experimentamos a situação por ele mesmo chamada caos, para obter ganho indevido. De nossa parte, além da sensação de termos sido miseravelmente explorados, a de termos nos tornado vítimas de fenômeno que tem maltratado a maior e mais rica cidade da América do Sul. Cartagena transformou-se numa miniatura de São Paulo. Enquanto isso, milhares de turistas deixavam nos cofres locais substancial contribuição monetária. Sem que se possa dizer do bom uso dos recursos arrecadados. Fosse diferente, as ruas de Cartagena, como as da capital paulista, não se transformariam, poucos minutos depois da queda das primeiras gotas, caudalosos e velozes rios. Aqui, a segunda conclusão: as alterações do clima, em escala mundial, desafiam a consciência dos cidadãos e governantes, mais do que a ciência dos estudiosos. Se estes se têm debruçado sobre mapas e problemas, aqueles só tem olhos para o enriquecimento pessoal ou de grupos. Às vezes, o financiamento de sua participação, frequentemente ilegal,  no processo eleitoral. Talvez  o nosso ingênuo habitante do interior recomendasse ao prefeito da  capital paulista e seu colega de Cartagena, a construção de marombas nas casas dessas cidades.

 

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