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Uma nova Bastilha

A seleção espanhola de futebol deu uma aula que ganhou dimensões inimagináveis, até antes de iniciada a primeira das duas disputas da fase semi-final da Copa do Mundo. Há, além da demonstração da força e da sabedoria como se comporta a equipe espanhola sobre a grama, aspecto simbólico que não pode passar ao largo das observações. Faz exatos 247 anos, no mesmo dia, a prisão da Bastilha caía e, com ela, a monarquia francesa. O dia de ontem, portanto, justificaria os festejos e rememorações usuais. É difícil imaginar ou admitir, no entanto, que os franceses tenham podido esconder a frustração pelo desempenho dos seus atletas, diante dos espanhóis. Com o que, o champanhe terá escorrido menos nas flûtes preparadas para o tim-tim duplamente comemorativo. O desempenho de Mbappé, Dembele e, o incluído nessa constelação mais recentemente, Olsie, não deram conta do recado. Cocurella e Oyarzabal, mais até             que Lamine Yamal, aguaram o champanhe de Deschamps, como terão decepcionado os idólatras dos craques de sua seleção. A propósito do atacante espanhol, a dizer apenas que a vitória de seu time deve merecer dele as atenções que a maioria dos seus colegas que chegam ao estrelato prefere ignorar. O futebol, esporte coletivo por excelência, só fugazmente pode dar-se o luxo de depender de uma só estrela. Isso vinha acontecendo com Mbappé, um dos maiores e mais habilidosos futebolistas do nosso tempo. Mas pode tornar-se apenas um número, quando seu brilho impede o brilho dos demais atletas de sua mesma equipe. Não li, nem ouvi, em momento algum, algo que mostrasse e comparasse o desempenho mais recente da seleção espanhola com a francesa. Sei, porém, que quase 40 partidas disputadas contra a seleção da Espanha deram resultado positivo para os representantes da pátria de Miguel de Cervantes. E o goleiro da fúria não vai buscar a bola no fundo da rede há mais de 6 partidas inteiras. O que eu queria dizer, mesmo, é que se brilha uma só estrela, pode-se ter um belo espetáculo – solo. O futebol, ainda que enriqueça muita gente, é pobre de sentimentos e, também, de resultados. Basta que se perca o sentido do coletivo, o que quer dizer, também, percepção do social, resta apenas lamentar. E aprender, para os que gostam de fazê-lo. Para alguns, isso parecerá ofensivo. A Bastilha – quem diria – caiu sobre o gramado de um estádio de futebol.

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