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Um destino para dois

Parecem dotadas de probabilidade muito próxima de zero as tentativas de Deltan Dallagnol recuperar o mandato de deputado. A trajetória do ex-procurador federal, tantas as antipatias por ele geradas, inúmeros os atos e gestos delinquentes por ele praticados, acabou por tirar dele o apoio com que, mais uma vez equivocado, pensava contar. Não é apenas a indiferença de seus próprios eleitores que mostra faltar chão ao fenômeno eleitoral de 2022, no Paraná. As imagens mostradas pela televisão, ontem, chegam a ser patéticas. Uma carreata quase sem carros. (Sem, não cem). Já é certa igual indiferença dos próprios pares de Dallagnol, que parece peixe fora d'água, isolado como está na Câmara. Não por virtudes que ele mesmo se atribui, sem persuadir qualquer de seus pares. Seria preciso ignorar sua tentativa de apropriar-se da fortuna devida à Petrobrás e que ele e seu comparsa da Lava Jato tanto cobiçaram. Parece confirmado o desinteresse do Presidente Arthur Lira em misturar os compromissos da Câmara com os do seu membro neófito. O político nordestino mostra que há inteligência também no Nordeste, algo rejeitado pelo deputado que o TSE privou do mandato. Mesmo a eventual reforma da decisão da Justiça Eleitoral, no STF, tem mínima chance de prosperar. Muito, pela unanimidade dos votos que o devolveram à obscuridade. Mas, em especial, porque sua imagem naquela altíssima corte não é melhor que a de um ex-magistrado que os membros do STF julgaram indigno da toga. Esse, mais um dos muitos produtos tecidos pela e com a ambição, a desonestidade e os vis apetites por ambos sobejamente ostentados e revelados. Ao contrário da expectativa de ver restituído o mandato do ex-deputado federal do Podemos, a probabilidade de seu companheiro de aventura anti-democrática ter o mesmo destino vai crescendo.

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