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Superioridade a confirmar

Início referindo-me, primeiro, às exceções. Constituem-na aqueles poucos estudiosos, políticos, militantes, lideranças, jornalistas que admitem a possibilidade de mudar profundamente a realidade social do Brasil. Depois, manifesto meu cansaço com a impermeabilidade das elites brasileiras a qualquer ideia ou proposta que atinja ao menos parcialmente, a desigualdade social. Limito-me a mencionar apenas um exemplo, a rejeição do projeto que pretendia promover a taxação das grandes fortunas, no Congresso Nacional. Algo quase concomitante com a identificação de recorrente escassez de recursos públicos à altura de financiar programas que, em outros países, contam com volume substancial, tantas vezes de exclusiva responsabilidade do Erário. Isso, quando todos apontam o dedo para a decadente qualidade dos serviços públicos de saúde, educação, alimentação, segurança, habilitação, saneamento e... Aí, o foco é sempre posto na remuneração dos servidores públicos, como se o exagero remuneratório constituísse a regra, não a exceção. Neste particular aspecto, vê-se, não obstante o esforço por oculta-lo, o interesse em reduzir o tamanho do estado. E, à frente, a quase certa destinação dos recursos eventualmente poupados, para os gulosos cofres privados. Neste caso, os setores empenhados na redução do aparelho burocrático nacional sequer atinam com a qualidade dos serviços e quanto essa circunstância tem a ver com as más condições de trabalho, a deterioração de instalações e desatualização de equipamentos, a injustiça remuneratória etc. Há certa lógica nessa posição, diante do fato de que as elites têm como pagar os altos preços cobrados por hospitais, escolas, unidades residenciais em bairros e condomínios bem servidos e agências de segurança residencial e patrimonial. Sem dar atenção, sequer, para outro fato nada excepcional, qual seja a concessão de favores chamados incentivos fiscais, de toda ordem a esses segmentos. Da injeção de recursos provenientes de agências oficiais, dos subsídios conferidos a iniciativas que quase não contam com expressiva contribuição financeira privada, até o perdão de dívidas, total ou parcialmente, contraídas por esses beneficiários junto ao poder público. Sem sequer serem impostas restrições àqueles inadimplentes, além de práticas conhecidas e nem por isso ausentes da justa repressão e punição. Sonegação e corrupção ativa são algumas dessas práticas, tão evidentes como propositalmente afastadas da mesa da,quase totalidade dos debates, onde quer que eles ocorram. A negação de uma alternativa, portanto, inclui-se no cardápio negacionista, transformado em mantra e dogma. A tal ponto, que leva à contradição fundamental: o livre arbítrio, aquele que trata da vontade em seus níveis individual e coletivo, não vale, sempre que enfrentar a suposta força do deus mercado parece impossível. Junto com esse dogma, caminha a dúvida sobre a inteligência dos animais ditos superiores.

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