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Se a moda pega...

Têm circulado pelas redes peças de propaganda eleitoral que desafiam a Justiça especializada e seus tribunais, do Superior aos estaduais. Nelas, antes mesmo de ser dada a largada oficial pelo órgão competente, o TSE, têm aparecido coisas que é preciso ter muito estômago para aturar. Não é só esse, porém, o aspecto absurdo do fenômeno. Em si mesmo, a antecipação da campanha eleitoral deveria motivar o Ministério Público e os partidos a ingressar com ações judiciais pertinentes. Seria preciso, no entanto, que os órgãos oficiais tivessem em sua direção servidores conscientes de seu papel e sensíveis aos valores que sustentam a república e orientam o exercício do poder, nas democracias. Não é esse o caso, portanto. Já os partidos, pelo que eles de fato representam, defendem e reivindicam, nada é mais lógico, nem desejável. O que menos lhes interessa é o cumprimento do rito próprio das democracias e do sistema constitucional que as consagra. Agindo em nome de interesses mais distantes dos anseios da sociedade, os partidos são apenas a sede de sua fome e de sua sede, em apetite que estupefaria até Pantagruel. Se o fato em si - a propaganda eleitoral antecipada e, portanto, marginal - é falta grave, a qualidade de alguns dos propagadores aumenta o grau de ofensa à Lei e desafia os melhores sentimentos dos cidadãos comuns. Estes, se são desejáveis seus pronunciamentos favoráveis ou não às candidaturas, deveriam integrar-se à campanha, em seu tempo e hora certos. Usar pronunciamentos de presidiários, aqueles que experimentaram a apenação oriunda do devido processo legal, é acinte desqualificado e torpe. Imagine-se que um candidato vá ao presídio, gravar com Marcola ou outro dos muitos condenados que hoje estão enjaulados ou mantidos em instalações menos constrangedoras, como propagandistas! Se a moda pega...


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