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Riscos

Esperar clima  tranquilo a  envolver decisão no ambiente político atual é acreditar em Papai Noel. Daí, a necessidade de ponderar a cada dia maior complexidade característica das relações humanas. Quando se trata de relações pertinentes a duas ou mais nações, maior há de ser o cuidado do decisor. Não è difícil imaginar, portanto, a atenção que o governo brasileiro tem dispensado ao convite de Donald Trump, para assentar o Brasil num tal (e mais que suspeito) Conselho de Paz. Suspeitar de que se trata de mais uma oportunidade de o soba norte-americano impor sua vontade e humilhar seus convidados, não é ilegítimo, nem mero ato de resistência. Ainda que não se tratasse de um convite feito pelo mais belicoso de todos os arrogantes presidentes norte-americanos, as condições e exigências para participar de uma previsível farsa desmerecerão o governante dócil e acessível. Não faltam exemplos da brutalidade, mais que da deseducação de Trump, em questões e momentos que tais. Mais que claras, as verdadeiras motivações do anfitrião têm pouco a ver com a resolução da tragédia que ele produziu em Gaza, como a que ele estimulara, e fez registrar na Ucrânia, e iniciou recentemente no Irã. A tanto o têm levado o amor aos livros – Diário, Caixa e Razão – e o desespero por testemunhar o papel que, não demora, o BRICS desempenhará na geopolítica em escala planetária. Agora, acrescida do virtual esfacelamento do braço armado que a OTAN mantém, a representação atualizada dos Cérberos continentais. Nem se fale da probabilidade de o tal Conselho exigir, em algum momento que ainda não se pode prever - o sacrifício da vida de jovens nacionais dos países assentados nas poltronas estofadas do infame colegiado. Esse, com certeza, preço muitíssimo mais alto que a quantia em dinheiro a ser posta nas mãos do apóstolo dos infernos. O que alega interesse  na Paz, mesmo se para chegar a ela ameaça espalhar a guerra e matar milhões de seres humanos, não merece crédito. Por isso, ponderar entre ser cúmplice de mais um holocausto ou resistir e ser agredido, só há um limite: a dignidade humana. Mais que qualquer outra variável, é essa que haverá de sobrepor-se a tudo mais quanto queiram os carrascos da humanidade.

   

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