Inoportuna e preocupante
- Professor Seráfico

- há 1 dia
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No mínimo preocupantes, as ideias de um general brasileiro, expostas em livro lançado nos Estados Unidos da América do Norte, também surgem em hora nada oportuna. Segundo o noticiário, na obra, o oficial até 2025 integrante do alto comando das forças armadas defende a ampliação das funções e prerrogativas militares nas decisões políticas do País. Pode-se traduzir essa ampliação na autorização constitucional para os quartéis interferirem nas decisões reservadas ao poder civil, a despeito de mal termos superado a crise causada pelo frustrado golpe de estado, em 08 de janeiro de 2023. Ali, fracassou a tentativa de fazer da organização militar, permanente e armada, tutora dos três poderes republicanos. Uma excrescência política, se consideradas as duas características incompatíveis com o papel reivindicado por parcela significativa dos seus integrantes. O fato de ser permanente não é, a rigor, sede da qualquer inquietação. Esta reside na peculiaridade de tratar-se de organizações armadas. Seu poder de influência, portanto, recomenda contenção e limites nem sempre valorizados ou defendidos pelos respectivos quadros profissionais que a integram. Sabe-se quanto a tradição política no continente parece pouco sensível à submissão dos cidadãos armados, enquanto tal, ao poder civil. Não sendo assim, as missões específicas das forças armadas acabam prejudicadas, enquanto parte significativa do oficialato superior tenta imiscuir-se nas questões reservadas ao poder civil. Disso dão conta as rupturas institucionais registradas, como o golpe empresarial-militar de 1964 e o golpe frustrado no início de 2023 o atestam.

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