Páscoa, hoje e sempre*
- Professor Seráfico

- há 31 minutos
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Pensando bem, todos os dias da nossa vida são – ou deveriam ser - Páscoa, Natal, Ano Novo, quadra junina e pra nós, paraenses, até quadra nazarena, privilégio divino só nosso. Eu entendo que a demarcação dessas datas ou períodos, no calendário, nada mais é que uma forma convencional estipulada talvez há milênios (não sei quando nem por quem), como uma orientação, com vistas a organizar o dia a dia das pessoas. Suponho. Também não descarto o respaldo comercial que acompanha tudo isso, sobretudo de umas décadas pra cá. Os apelos do consumismo que, sem qualquer dúvida, hoje (talvez sempre, quem sabe?) se sobrepõem ao real desejo de presentear alguém, de reunir pessoas queridas - ou não.
Se deixarmos de lado o sentimentalismo, veremos que são dias como outros quaisquer. Por exemplo, as noites de 24 e 31 de dezembro. As horas passando, as pessoas tratando de seus afazeres e interesses, a chuva, o sol, a noite chegando, e por aí a coisa vai; mais um dia passa. Após a meia-noite, começa um novo dia. E assim flui a vida da gente. Mas o calendário está lá na parede, dando maior realce às duas noites. E nós, ou quase todos nós, pessoas, nos deixamos levar, docilmente, por esse apelo. Que é bom demais.
Daí cabe a pergunta: Natal, Páscoa, Ano Novo, Círio de Nazaré e outras datas – eu diria “badaladas” tem dia marcado? Tem prazo estipulado pra cada pessoa demonstrar afeto, atenção, respeito às outras? Tem hora marcada pra você estender a mão a quem precisa? Ajudar quem lhe pede socorro? Dar um sorriso, um “bom-dia”, “como vai?” etc etc? ... Por que, então, só no dia de Natal, você sente vontade (ou obrigação, às vezes), de dar um presente àquela pessoa de quem você não lembra o ano inteiro, nem procura saber? Isto é presente de Natal?
Com base nesta reflexão, reafirmo o que digo, quando cumprimento alguém, pelo natalício: “fulano, apenas reitero agora o que te desejo durante o ano inteiro; não é só hoje”.
O mesmo deve ser com as datas ditas festivas. Elas devem estar presentes no coração, não no calendário. Todos os dias. São datas de forte apelo cristão, pelo que cada uma representa, de fato. Mas cristão de verdade é cristão o ano inteiro. Sem escolhas. Sem prazo pra começar e terminar. Sem lembrar que dia é hoje. Também é bom não esquecer de que podemos ter atitudes cristãs, sem meter a mão no bolso. Não é só dar dinheiro que se torna um gesto cristão. É bem mais barato. Não custa nada. É gratuito.
Então, no momento em que nos preparamos para viver mais uma Páscoa de Jesus Cristo, tenhamos como modelo as mensagens e os exemplos que Ele nos deixou. Pra Ele, não havia sábado ou domingo, conforme as leis da sua época. O Bem não constava na agenda. Despontava conforme a necessidade. E Jesus, com seu infinito amor por todos nós, desafiou poderosos e tiranos, fez o Bem onde prevalecia o Mal, quebrou correntes que amordaçavam inocentes, e ... O resto, nós sabemos, porque cremos, vemos, sentimos, recebemos. E almejamos, a cada dia, que Ele continue vivo no meio de nós.
Portanto, que, em cada dia da nossa vida, brote do nosso coração uma noite de Natal, uma festa junina, um alegre baile de carnaval, um belo Círio de Nazaré e um feliz domingo de Páscoa!
Feliz Páscoa!
Vitória Seráfico (2026)
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*A autora, frequente tripulante, é poeta, cronista e compositora, além de exímia decoradora especializada em eventos educativos, culturais e comemorativos.

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