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A jaula digital e um mundo em desalento


José Alcimar de Oliveira*


Crianças, adolescentes e jovens a cada dia tomados por cansaço, apatia, desalento, ansiedade, afogados numa sensação de presente contínuo, sem história e sem memória. O cotidiano (continuamente irrefletido) converteu-se num espaço continental intocado pela razão, que Descartes um dia chamou de bom senso, coisa unversalmente partilhada. Reflexão é da ordem da duração. Sensação, palavra de ordem do

mundo digital, é da ordem do instante, sempre veloz em disseminar mais lixo informático do que informação, que para se converter em conhecimento deve passar por filtragem cognitiva e crítica, notadamente filosófica. Nesse turbilhão digital acelera-se o processo de desencefalização do ser social e a inteligência tende a migrar da cabeça para as terminações digitais do polegar, que perde a cada dia sua ancestral função opositora. Sim, já tivemos um polegar opositor e dialético, agora anulado pelo hábito digital. Como escreve o velho Hegel: o hábito é um agir sem oposição. Em tempo: por minha condição dinossáurica só consigo digitar com o indicador, sempre impulsionado por força acutilante e refratária às ondas da cultura misológica.


*José Alcimar de Oliveira, desde sua artesania filosófica, em primeiro de abril de 2026

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