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Páscoa como liberdade ou saida?


José Alcimar de Oliveira*


01. Num dos mais belos e enigmáticos contos de Franz Kafka, Um Relatório para uma Academia, a palavra liberdade (tão a gosto da impostura burguesa) cede lugar ao termo saída.

02. Páscoa em sentido histórico e verdadeiro implica passagem, saída, caminhada de libertação para o que afirma a vida.

03. Sob o sistema e as relações sociais impostas pelo mundo infame do capital não há Páscoa possivel. A insurreição contra esse mundo é a outra face da Ressurreição.

04. Diante da necrocracia capitalista, de seu modo suicidário e biocida de ser, de suas relações sociais desumanas, multiplicam-se saídas fáceis... mas sempre falsas.

05. O que resta, de fato, no mundo imundo do sistema do capital, é a interdição de saídas e caminhos que conduzem ao bom viver pessoal e coletivo.

06. Em Jesus de Nazaré, na linha do Movimento Samaritano por ele iniciado, que nada tem a ver com religião ou igreja, recuperar a práxis pascal hoje significa afirmar, dentre outros, os direitos humanos fundamentais à alimentação, à saúde e à educação.

07. Por fim, nesse 2025, Páscoa com alegria e bom ânimo e sem anistia para os golpistas de ontem e de hoje. Que volte ao esgoto o que dele saiu para infamar a vida pessoal e coletiva. E cipó de aroeira no fascismo!

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*Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas. Páscoa de 2025.

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