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Por uma reorganização da governança mundial

Marilza de Melo Foucher*


Ultimamente, venho observando a desordem persistente no mundo global com certa perplexidade. É notório o enfraquecimento das instituições multilaterais, assim como o incremento das tensões diplomáticas que se acentuam, dando lugar a um diálogo de surdos. Na cena, alguns dirigentes de grandes potências ocidentais parecem ignorar a estratégia imperialista do atual Presidente americano que rejeita as regras e plataformas diplomáticas de negociação, construídas desde 1945. Não existe uma política de ação conjunta e a Europa, principalmente, se acomoda à desordem contemporânea. 

Assistimos uma rejeição do direito internacional e dos órgãos multilaterais da ONU. Tudo se passa como se o mundo fosse apenas uma correlação de forças que se resume ao poder militar e econômico. O sistema das Nações Unidas, apesar das imperfeições, foi a pedra angular do arcabouço multilateral da governança global, criando condições imprescindíveis para salvar as gerações futuras do flagelo da guerra. Os dirigentes mundiais que participaram da criação das Nações Unidas estabeleceram garantias para manter a paz e o respeito ao direito internacional. Na época, definiu-se que a segurança internacional deveria também promover o progresso social e garantir melhores padrões de vida para a humanidade. Este sistema foi enriquecido, ao longo muitas décadas, por diversas outras organizações internacionais, funcionando como uma espécie de “sociedade civil global”. Muitos fóruns informais foram criados, e uma rede de associações e atores se expandiram, transcendendo as fronteiras nacionais (ONGs, coletivos, redes de solidariedade etc.)

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*A autora, amazonense, é economista e jornalista, colabora com o Brasil 247 e outros jornais brasileiros, Também escreve para o MediaGraf, de Paris, onde reside há mais de 40 anos.


___t *888em Paris



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