PACIFICAÇÃO E BARBÁRIE: DUAS FACES DE UMA MESMA MOEDA
Não é de hoje que tenho ouvido essa conversa chula de "pacificação do país". Até a linguagem é feia, além de insustentável filosoficamente.
Não foi por provocação dessa tolice, mas estive relendo Rousseau e seu contrato social. Daí me veio à lembrança que a extrema-direita tem pedido, insistentemente, que o Brasil seja pacificado (sic).
Ora, mas o Brasil foi pacificado há mais de 500 anos. Não pelo contrato social de Rousseau, mas pelo absolutismo defendido no contrato social de Hobbes.
Pacificaram esse território matando seus povos originários. Não houve acordo. A mando do rei, o colonizador veio e trucidou, cometeu genocídio, saqueou e foi embora, deixando aqui seus acólitos.
Voltando a Rousseau.
O Brasil de hoje está pacificado pela democracia, pela "vontade geral", pela soberania popular. Quem perdeu a eleição e não respeitou as regras do estado de direito democrático (o contrato), deve ser punido. Simples assim.
Anistiar criminosos que quebraram o acordo civilizatório é o mesmo que abrir as portas para o retorno da barbárie. Se permitir isso, a desejada pacificação da extrema-direita fascista será feita novamente com assassinato dos indígenas, como fez o genocida com o povo ianomâmi.
Se permitir a "pacificação" fascista, todo contrato social firmado pela soberania popular vai para o saco. Seria o enterro da democracia e a instalação de uma nova barbárie.
O Brasil vive a paz da democracia. Lula foi eleito presidente pela quarta vez. Querem mais pacificação do que isso? Foi a vontade do povo e se essa vontade não servir de objeto pacificador, adeus regime democrático.
Extrema-direita é o nome bonito para fascista e a estética do fascismo é o autoritarismo, o preconceito, o racismo, a homofobia e os crimes contra a pátria. Não é isso que queremos como pacificação.
Lúcio Carril
Sociólogo


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