Otimismo, esperança e futuro
- Professor Seráfico

- 19 de set.
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Desprezem-me os que se dizem realistas. Presos à objetividade que impede seus sonhos e os faz apegados à experiência consagradora da rotina, negam a tênue linha com que é traçado o destino da humanidade – ou seremos pessimistas, ou nos orientará o otimismo. Fossem Cervantes e sua mais importante e humana criação inspirados pelo pessimismo, fruto da negação e do desencanto, o escritor manchego já teria soçobrado. Com ele, a grande viagem de que Sagres terá sido apenas o ponto de partida. Nós, cidadãos, primeiro do Novo Mundo, depois do Planeta inteiro, não podemos ater-nos ao naufrágio anunciado. Não é de boias que precisamos, mas de sonhar cada vez mais. Com todas as nossas energias, porque o futuro está à frente, e qualquer hesitação ou vacilo nos fará andar para trás. O que mais temos perdido, nos momentos decisivos e cruciais da trajetória humana, é a capacidade de olhar à frente, mantidos pela ilusão de que o ontem será (?) melhor que o amanhã. Mesmo quando levamos a tecnologia a tão ousados patamares, talvez inebriados pela falsa promessa de virarmos deuses, esquecemos de que nada obstará o progresso – da Ciência, da Vida humana, da Sociedade. É do homem e de seu senso de coletividade, portanto, que resultará o futuro. Se o passado não pode ser mais que fonte de sabedoria e inspiração, a impossibilidade de fazê-lo não impede a construção de um futuro melhor. Tal construção, fundamentada no que o ser humano tem de melhor, é a única saída para o dilema eterno – a Vida absorvendo a morte, sem amesquinhá-la; apenas tomando o momento derradeiro como ponto final de trajetória individual. Nem por isso a Vida se extinguirá. Antes, podem anunciar-se, a cada morte, novos horizontes, sonhos renovados, lições de que a humanidade não se tem que envergonhar; antes, terá marcado seu desenvolvimento pela ação dos que, sobreviventes, têm os olhos voltados para o devir, jamais serão escravos do que passou. Se aos pessimistas o sonho parece transgressão imperdoável, aos otimistas cabe a virtude da Esperança. É esse o único alimento capaz de levar-nos a um futuro menos inglório.
Manaus, 19 de setembro de 2025.

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