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Os olhos nossos e dos outros

Pode até ser compreensível. Afinal, toda manifestação humana corresponde a alguma motivação, podendo ser mero pretexto ou ter fundamento razoável a justificá-lo. A nomeação de Paulo Pimenta para exercer o mais alto posto federal no Rio Grande do Sul em verdadeira intervenção branca, suscitou iradas críticas. Podem-se identificar, entre os críticos, muitos dos que em passado recente desejavam ver o País mergulhado não nas águas do Guaíba, mas na obscuridade do autoritarismo. Preferível a GLO que a autoridade federal, como o Planalto denominou o cargo do antes Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social! Ora, exigir lógica e exemplo de um pingo só de razão de quem se empenha em confrontar a Ciência e agredir o Estado Democrático de Direito seria por demais ousado. A impressão que dão os descontentes com mais um ato de profunda sabedoria política do triPresidente é a de se desnortearem, ao ponto de acusarem o golpe e a frustração que os abala. Os comentários, inclusive transcritos em editorial do Estado de São Paulo, correspondem à estupidez que costuma afetar os autoritários, em especial aqueles que fazem da mentira, da força bruta e da ignorância suas armas preferidas. Desejariam esses inimigos da democracia que Lula designasse um dos terroristas que atacaram o Estado Democrático de Direito? Ou prefeririam que ele entregasse a gestão da tragédia para a qual muitos desses golpistas contribuíram aos operadores de uma rede de mentiras? O ato de Lula é, sim, uma ato político! Se fizesse diferente, o triPresidente estaria repercutindo o discurso que, escondendo suas intenções, os opositores pronunciam prenhes de hipocrisia - o traje mais abjeto de que a mentira se pode vestir. Se Paulo Pimenta é candidatíssimo a governador do Rio Grande do Sul, melhor ainda que tenha sido ele o nomeado por Lula. O Ministro extraordinário terá a oportunidade de mostrar serviço. Gaúcho ele é, como o é o atual governador instalado no Palácio Piratini. Este, toda gente sabe, desprotegeu o meio ambiente, de que o resultado está aí: dezenas de milhares de conterrâneos transformados em refugiados, centenas mortos, cidades destruídas. a fome e a sujeira ameaçando toda a população gaúcha. A pimenta só agrada quando afeta o olho dos outros. O Pimenta, quando põe em risco a aventura dos "apolíticos", pode fazer melhor.

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