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Os marcados do mercado

Os números da economia brasileira nunca foram tão auspiciosos. O resultado das vendas do Natal não dizem tudo, mas revelam uma realidade que só os ignorantes por preferência e mal-intencionados contestam. Não é que as mudanças operadas em nossa economia sejam as defendidas e propostas pelos que desejam ver reduzida a desigualdade perversa com a qual convivemos. Sente-se, sobretudo, renascerem esperanças esgarçadas no período 2019-2022. A produção industrial começa a retomar o ritmo anterior àquela infausta fase de nossa história. Para isso se têm aberto linhas de crédito oficial, de que o BNDES é o grande motor. O processo de desindustrialização tem seu curso, se não interrompido, em ritmo decrescente. Neste particular aspecto, a zona franca de Manaus pode servir de incontestável exemplo. Sem que um só dos pilares da economia de mercado tenha sido sequer arranhado. Os resultados até aqui registrados, portanto, aproveitam, sobretudo, aos que sempre ganharam. Pratica-se sem rodeios, o mercado como ele é na sua essência: quem tem mais, mais ganha; quem tem menos, menos ganha; quem nada tem, não tem o direito de ter algo. Com isso, a economia cresce e, com ela, cresce a desigualdade. A hostilidade de setores da elite às politicas neoliberais ainda em prática não tem como fundamento a redução da desigualdade. O que incomoda os ganhadores de sempre é a mais tímida promessa ou a mais frágil tendência de os ganhos da economia não correrem integralmente para seus bolsos. Gente sadia, sem fome, frequentando boas escolas e tendo a oportunidade de manter-se dignamente - não apenas sobreviver e reproduzir-se - não se deixa enganar. Por isso, reduzir a desigualdade é indesejado pelos que dela se nutrem e constituem escandalosa (e frequentemente ilícita) fortuna. Título de um conhecido filme sobre a realidade brasileira aplica-se à situação dos trabalhadores brasileiros, diante dos que os exploram. Refiro-me ao filme Cabra marcado para morrer.

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