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Ocupação e seguro-desemprego

29 de set. de 2024
2 min de leitura

A direita não tem como fugir, quando a quase totalidade de suas teses e posições vem desmentida pela realidade que teima em negar. Ainda agora, jornalistas interessados em depreciar as (poucas) decisões e políticas populares do governo federal, são forçados a exercícios de imaginação atribuíveis sobretudo à fidelidade às políticas e práticas do mercado. Um destes casos, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg (Não é para amadores, 28-09-2024), tenta interpretar fenômeno que ele mesmo tacha de contraditório, de modo enviesado. Até aí, nada demais, conhecidas a sua trajetória e as opiniões que ele tem emitido, seja lá sobre qual assunto for. Mesmo quando chega perto de diagnosticar a realidade, pelo menos no texto ora comentado, ele estanca no meio do caminho. Daí evitar colocar o dedo na ferida, de resto o reconhecimento de que o lado por ele defendido e o sistema que ele acha o melhor - o de mercado - serem a mais profunda causa do fenômeno, qualquer a profundidade da aparente contradição encontrada. A contradição que Sardenberg aponta relaciona o antes inimaginável nível de emprego e o acréscimo no pagamento de seguro-desemprego. Ora, se há mais empregados, como admitir que haja mais gente pedindo para receber porque está desempregado? O dilema não é tão difícil de ser compreendido, se os analistas se afastam, fugazmente ainda, dos compromissos assumidos com o capital. Há desempregados com direito ao seguro-desemprego porque este é pago quando a dispensa do empregado se dá sem justa causa. Ou por algum acordo entre o trabalhador e o empregador. Tratar desse assunto e do problema que ocupa Sardenberg importaria conhecer a fundo as causas da enorme rotatividade praticada propositalmente pelo empresariado brasileiro, em sua maioria. Ignorar - ou fingir fazê-lo - que os chamados empreendedores e beneméritos nacionais - trocam trabalhadores com a mesma frequência e facilidade com que mudam de cuecas, desde que isso renda alguns centavos mais por causa da redução da folha de pagamento de seus colaboradores (como sua hipocrisia manda chamar), a troca é feita. Simples assim, como diria o ex-Ministro da Saúde a quem se atribui a mais trágica passagem por aquela Pasta. Também é impossível, se não desonesto, fazer olhos e ouvidos de mercador, com relação à substituição do emprego por ocupação. Nem sempre o ocupado em alguma atividade está no desempenho de um emprego. Mas, sendo ocupado, tem o que fazer e contribui, com seu suor, às vezes com seu sangue, para enriquecer quem o explora. Algo igualmente simples de entender. O Brasil não é para amadores, muito menos para os que sabem montar armadilhas que enganam o leitor e o fazem aplaudir profissionais e empresários hostis aos sonhos dos trabalhadores. Muitas vezes, dentre os profissionais há muitos dos explorados. Por isso, é grande a multidão de pobres de direita.

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