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O que esperar?

Imaginar que o ano de 2025 trará ganhos à sociedade brasileira poderá ser arriscado em demasia. Não é a isso que estamos acostumados, sai ano, entra ano. As palavras, sejam o tom e as intenções que a elas se emprestem, não bastam para fazer sonhos se transformarem em realidade. Esta, cada dia revelando-se mais cruel que na véspera, desautoriza previsões animadoras. A não ser que se alterem substancial e prolongadamente as condutas dos que nos governam. Não apenas porque ocupem postos no poder Executivo, ao qual equívoco habitual e cuidadosamente cultivado atribui a responsabilidade por tudo quanto (sobretudo de mal e mau) afete os súditos. Governam o País, e nem sempre respeitando os limites que a Constituição estabelece, também os parlamentares e os magistrados. Muitas vezes, fazendo de suas próprias decisões e ações mero empecilho à resolução dos problemas que afetam a população. Destes, um dos mais graves consiste na disseminação de mentiras, a que serve a interpretação da própria Lei Maior e as que a esta se submetem. (Ou deveriam submeter). Daí vermos até profissionais da área jurídica admitirem como típica judicialização da política decisões tomadas pelo Poder Judiciário. É comum ao Congresso Nacional extrapolar de seus deveres e prerrogativas constitucionais, no afã de criar obstáculos à ação do Executivo e torná-lo refém de interesses de nenhuma forma ligados à boa administração da res publica. Não se pense, porém, que o Poder Executivo foge a essa conduta malsã e comprometedora do caráter republicano e democrático de que nos vangloriamos. Não dizem outra coisa os registros dos tribunais, mesas e gavetas abarrotadas de processos causados pela lesão oficial aos direitos de cidadãos comuns. Não escapam mesmo os incomuns. As quatro linhas de que falam os doutos e também os pascácios são alargadas pela voracidade dos apetites. Acabam por prejudicar o desempenho de todos os poderes, ou negar evidências sobejamente demonstráveis. No caso do Brasil de hoje, o extremo esforço do Executivo por gerar mais benefícios para os segmentos social e economicamente mais frágeis. Os números, tão ao gosto dos apóstolos do mercado, são propositalmente ignorados, mesmo quando rigorosamente inseridos nesse tipo de relação social. Os produtores e vendedores sempre têm ganhado mais que os consumidores e usuários, mas isso não basta para os congressistas deixarem de obstaculizar algo mais (decisões, sobretudo) que venha a distribuir honestamente a riqueza produzida pelos que suam, porque trabalham. A recusa em taxar as grandes fortunas o diz com mais contundência. Assim, qualquer decisão voltada para a redução da desigualdade que marca nosso cotidiano, esbarra em alguma das outras instâncias do Governo (em maiúscula, para não ser confundido com o Executivo). Esse poder, cada dia mais comprometido com o deus da hora, entrega-se a um processo de rendição em que os acordos sempre vantajosos para os ricos dão a tônica. O que esperar disso? Quem souber que o diga!

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