O (mau)exemplo vem de dentro
- Professor Seráfico

- 8 de abr. de 2024
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Antes que o golpe militar de 1964, tramado havia dez anos, fosse desferido contra a democracia e o governo constitucional de João Belchior Marques Goulart, crescia a intimidade entre o então coronel norte-americano Vernon Walters e as lideranças golpistas. A tal ponto, que àquele oficial do Exército dos Estados Unidos da América do Norte foi atribuída a missão de coordenar as ações antidemocráticas, sob o pálio da Embaixada daquele país, então dirigida pelo professor Lincoln Gordon. O que não ficava bem pôr em mãos de um acadêmico não despertaria suspeitas, se entregue ao descortino (!) do militar. Depois de abertos os arquivos, lá e cá, soube-se mais sobre o papel de um e outro - e de tantos outros - protagonistas daquele trágico processo. Não obstante, as práticas golpistas permanecem em curso, sendo que a tecnologia tem servido mais ao seu desenvolvimento que ao bem-estar da sociedade. Se Vernon Walters teve o mesmo destino de todos os seres, seja o grau que for de sua humanidade. Reduzidos ao pó original, nem por isso os agentes do passado desapareceram por completo da vida dos que os sucederam. Vêm daí as ameaças que um ostensivamente biliardário norte-americano desfere contra o Ministro Alexandre Moraes, o STF e a democracia brasileira. Seus nome (Elon) e sobrenome (Musk), simbólicos a não mais poder, mostram a teia de relações entre ele e seus cúmplices brasileiros, sem que se sinta o menor odor do almíscar insinuado. Não é menos simbólico o nome que substituiu o twitter, sem perda da proteção que o anonimato assegura aos covardes e a todos os que não têm medidas, quando se trata de defender egoísmo doentio e desamor exacerbado à espécie de que se pretendem integrantes. O xis da questão, longe de esgotar-se na apuração das possíveis ações delinquentes praticadas, estimuladas, financiadas ou de alguma forma apoiadas pelo biliardário, está em estabelecerem-se os vínculos do que ele afirma e proclama, quando investe contra o relator dos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023 e lideranças nacionais que têm o mesmo discurso. Com uma só diferença: Musk não é brasileiro (ainda bem!), e patriotários daqui e os que a eles se aliam dão o mote de que precisa o dono da X, na tentativa de enxovalhar mais que o governo, toda a sociedade brasileira e o Estado Democrático de Direito tão duramente mantido. O exemplo, para o bem e para o mal, continua a ser poderoso fator de educação.

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