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O jogo do perde-perde

Ao tarifaço decretado por Donald Trump a quase todas as nações, seguiu-se a aplicação da lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes. Ambas as decisões, tradutoras do primarismo e do autoritarismo (como se uma coisa não fosse irmã siamesa da outra) do pretenso imperador do Mundo, vêm despertando a reação de governantes e povos de todo o Planeta. O escasso entendimento do papel que cabe a um Presidente de república está diretamente ligado aos decretos presidenciais do chefe de Estado e de governo norte-americanos. À exceção dos áulicos que desfrutam do poder naquela nação, é raro encontrar quem veja algo de racional em qualquer dos dois decretos. Acumulam-se as manifestações dos que entendem de Direito, Política e Economia, contradizendo o arrogante e abrutalhado republicano instalado na Casa Branca. Quanto à imposição de tarifas extorsivas, falta-lhe o mínimo respaldo em toda a legislação e literatura referente ao comércio internacional. Há, portanto, vício de origem, que tribunal internacional ou organização que o equivalha não terá dificuldade em fulminar. A respeito da lei criada para punir o governo russo, em casos expressos e evidentes de ofensa aos direitos humanos, chega a ser risível o objetivo do decreto presidencial. Já nem se fale na autodeterminação dos povos, princípio pétreo das relações internacionais. Diga-se, porém, que a posição de Trump visa o benefício de réu sabidamente hostil aos direitos humanos, a ponto de declarar seu culto à tortura e a admiração que dirige aos torturadores. Não bastasse tudo isso, repetido sempre que oportuno, o beneficiário da iniciativa do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte está sub judice, prestes a receber a sentença que a maioria do povo brasileiro deseja – a condenação. Esta, acrescida das penas que se espera as mais pesadas, agravadas pelas provas produzidas pelos próprios réus, como o devido processo legal ora em curso o revela, nas milhares de laudas constantes dos autos. Parece brincadeira que o Presidente da nação mais poderosa do Planeta – e a única cujo governante um dia determinou o lançamento da bomba atômica (lembremos Nagasaki e Hiroshima, por favor!), tente apresentar-se como defensor dos direitos humanos. Ao fim e ao cabo, ele e seus submissos protegidos se merecem, reciprocamente. Para eles, o jogo é, realmente, do perde-perde. Perderam o rumo e não lograram levar a sociedade humana para o caminho que suas bússolas sujas indicaram. He is a loose! É como dirão os seus sócios no infortúnio.

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