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O destino dos argentinos

28 de fev.
2 min de leitura

É difícil para as colônias escaparem ao destino do império que as subjuga. Sobretudo, quando o declínio imperial corresponde à rejeição de outros povos, nações e estados, às práticas avelhantadas de que se valeu o império para manter-se poderoso. Há e haverá, sempre, o dia em que a casa cai. As dificuldades enfrentadas pela Argentina sob o mando de Javier Milei é exemplar. Um anarcocapitalista, como ele mesmo se apresenta, embora asquerosamente submisso às rédeas (e aos fios) que Donald Trump maneja, sofre sucessiva derrota, toda vez em que o povo argentino troca o conforto de suas casas e se põe nas ruas. Castro Alves disse, e não foram muitos os que o ouviram. Se ao condor cabe percorrer amplos espaços, o lugar do povo está nas ruas, de onde pode vir o grito de independência que desafia os traidores e as falsas lideranças. Como no samba de Chico Buarque, tantas Milei fez, que agora está chegando a hora de prestar contas de sua sabujice e de suas tortuosas e ilusórias teses. A economia do país platino anuncia tempestade, sem que isso, pelo menos até agora, seja percebido pelos que, formalmente respondem pela condução dos negócios públicos. Javier Milei, como tantos outros dos direitistas e fascistas no exercício do poder, recusa-se a perceber o mal que está fazendo aos seus concidadãos em maioria, à paz social que ele deveria ser o primeiro a pregar e defender, e às nações vizinhas. Suas curiosas - para não dizer coisa pior - decisões estão desprezando até uma providência de que se valeram muitos países, o Brasil dentre eles, para substituir as importações. Pior que isso, celebrada pela qualidade de suas carnes e a excelência dos rebanhos bovinos, a Argentina priva seus habitantes da alimentação saborosa e energética que esse item de sua pauta de exportações ostenta. Não é diferente o suprimento de leite aos argentinos. Um dia, prevalecerá na sociedade mundial a convicção de que a idade do calendário não diz mais que o número de dias vividos. A juventude extrapola da carteira de identidade e vai ser encontrada nos sonhos de cada ser humano. Também será maior o número dos que se convencerão de não ser o calendário que tece as mentes humanas, mas os sonhos que nelas cabem.

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