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Monumentalismo

Nos impérios, tudo é monumental. Em certos casos, ainda bem! Em outros, pior para nós e a História. O que sabemos de tempos passados vem muito da curiosidade por conhecer monumentos apresentados como templos religiosos, edifícios oficiais, celebração de datas e feitos, inscrições, dentre outras manifestações do gênio humano. Tem sido vã a tentativa de anular a importância das chamadas sete maravilhas do Mundo. No máximo, acrescentamos àquelas que vêm da Antiguidade novas criações. Os seja, mesmo que sujeitas à ação danosa dos que pensamos humanos, ainda resta alguma coisa das Pirâmides de Gizé, no Egito; dos Jardins Suspensos da Babilônia, no Iraque; da estátua de Zeus, na Grécia; do Templo de Artêmis, também na Grécia; do Mausoléu de Halicarnasso; do Colosso de Rodhes e do Farol de Alexandria. Uns mais, outros menos alterados em sua forma original, trazem aos contemporâneos informações indispensáveis para a compreensão das sociedades que as construíram, e do tempo em que foram criados. Os acréscimos à lista monumental referem-se ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro; à Grande Muralha da China; ao Taj Mahal, na Índia; Machu Pichu, no Peru; as pirâmides de Chichén Itzá, no México; o Coliseu, na Roma pós-Cristo; e as Ruínas de Petra, na Jordânia. Confesso minha perplexidade com a inclusão de algumas dessas obras monumentais como representativas da modernidade, mas atribuo tal anacronismo à data da decisão oficial que conferiu a elas o caráter emprestado aos outros monumentos, erguidos na Antiguidade. Isso não altera o raciocínio que me motiva a escrever este texto. Trata ele, substancialmente, de estabelecer certa relação entre o império e sua vocação para o exagero, onde quer que este se possa revelar. Hoje, tal monumentalismo envolve até a conduta dos pretensos imperadores e revela quão iludidos estamos a respeito do que se chama moderno. O monumentalismo atual, Donald Trump que o diga, vem envolvido no destempero, na arrogância e na brutalidade em que se embebedam e cercam seus atos e suas palavras. Porque exagerada, a ignorância de bípedes assim dá dimensões extraordinárias a tudo quanto os brutamontes, dinossauros contemporâneos, deem a conhecer. Se os imperadores do passado deixaram um legado impossível de ignorar, os de hoje, mesmo se apenas pretensos imperadores, deixarão apenas o mau exemplo. E entrarão para a História pela mesma porta que conduz à cloaca da humanidade.

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