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Mercado manco

Informação divulgada pela Organização das Nações Unidas tem sido amplamente divulgada, sobre a COP30. Revigorando mobilização contra o local onde a reunião será realizada, buscam os interessados a troca de Belém por outra cidade brasileira. Desde quando era apenas uma tendência, a seleção da capital paraense como sede do importante encontro despertou a rejeição de políticos e gestores públicos de diversas regiões do País. Quem a verbalizou primeiro foi o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, mas não faltou nem falta quem lhe traga apoio. Indireto, diga-se, porque neste país tão escasso em solidariedade, a conquista de qualquer ganho parece excluir o ganho do parceiro, irmão ou ser humano. Ao que informou (ou teria informado) a ONU, das 194 nações vinculadas àquele organismo, menos de 30% já teriam confirmado presença. Convenhamos, número muito aquém do que seria justo e razoável esperar, quando a sobrevivência do Planeta está em jogo. Seriam 47 os Estados nacionais cuja presença em Belém está confirmada. Embora a capital paraense esteja experimentando pela primeira vez a aplicação de volumosas verbas para a execução de obras públicas, e vários eventos preparatórios estejam em curso, alguns setores mobilizam-se para boicotar o evento maior. Tal mobilização, no entanto, é antiga. Verbalizou por primeiro a intenção de transferir de Belém para a cidade por ele administrada, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Depois, e sob os mais diversos e pueris pretextos, outros gestores repetiram o gesto de Paes. A mais importante e contraditória alegação recai sobre os preços da diária nos hotéis e dos proprietário que desejam ganhar algum dinheiro, colocando suas próprias residências, total ou parcialmente, à disposição dos visitantes. Todo dia se ouve falar dos preços e das causas de sua oscilação, haja COP30 ou não. Oferta e procura, dizem os apóstolos do mercado, neste se encontram, e desse encontro resulta o que se chama preço. Em todos os outros casos, os fiéis dessa desumana religião atribuem a certa mão invisível ditar os rumos da convivência entre humanos. Muitas vezes, naturalizando a fome, o analfabetismo e a morte. Por isso, na sede do império cujo dirigente tem como argumento um arsenal atômico, quem não pode pagar, morre na porta de hospital. Por que há de ser diferente, quando proprietários de imóveis pretendem usar essa mesma perversa e fundamental lei do mercado? Inventem outro pretexto os correligionários dessa religião que a cada dia produz mais famintos, analfabetos, escravizados e belicosos seres em processo de extinção, mundo afora. Gaza, Ucrânia, Síria, Congo e Sudão, para ficar apenas nesses, não permitem alimentar ilusões. Enquanto não for encontrado um sistema social e econômico que substitua as relações de produção (a apropriação de seus resultados, sobretudo) vigentes, não deteremos o processo de extinção em curso. Pois a COP30 trouxe consigo excelente oportunidade de levar em frente a resistência à morte. Do Planeta, não menos.

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