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Mendigato: o gato que me fez mais humano!

15 de jul.
2 min de leitura

Lúcio Carril transforma a despedida de Mendigato em uma reflexão sobre humanidade, afeto e o aprendizado que os animais deixam em nossas vidas


Por Lúcio Carril*


Publicado em: 11/07/2026 às 13:31 | Atualizado em: 11/07/2026 às 13:33

Meu gatinho Mendigato partiu. Mas, antes de partir, tornou-me mais humano.

Sim. Nós não nascemos seres humanos. Nós nos construímos seres humanos, pois somos seres biológicos e culturais.

Sem humanidade, aqueles valores intrínsecos aos seres humanos e adquiridos no convívio social, seríamos apenas seres vivos, como um vegetal ou um inseto.

Mendigato, ou apenas Mendi, viveu 10 anos conosco. Era muito carinhoso, amável e sossegado. Também era valente. Protegia o território dele.

Ensinou-me muito. Todos os meus gatinhos me ensinam muito a construir minha humanidade.

Fui uma criança que maltratava gatos, assim como quase toda a garotada maltratava animais. Fui crescendo e aprendi a amar outros seres humanos, respeitá-los e lutar pela felicidade de todos.

E foi justamente do maior amor que temos, os filhos e as filhas, que aprendi a amar os animais.

María Júlia resolveu adotar uma gatinha, a Mel. Um ano depois, o vizinho ao lado também adotou um gatinho. Só que não o alimentava, e ele vinha comer a ração da Mel. Logo passamos a chamá-lo de Mendigato. Ele foi ficando, o vizinho mudou, e o Mendi ficou com a gente.

O mundo tem melhorado no tratamento dos pets. Na minha infância não era assim, principalmente na minha classe social. Mas hoje isso é um bom sinal de desenvolvimento da humanidade.

Mendi partiu, mas deixou uma herança de mais amor e respeito pelos seres vivos. Todo animalzinho que criamos nos deixa essa herança. Se não nos tornamos mais humanos, não foram eles que falharam; fomos nós que nos embrutecemos.

Se amas um bichinho, és capaz de fazer do amor uma resistência a toda a maldade do mundo.

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