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Marco histórico

O 2 de setembro ficará como um dos marcos mais importantes de nossa História. Pela primeira vez em nossa vida republicana, o ideal proposto por Montesquieu terá chegado mais próximo dos fundamentos políticos e filosóficos que inspiraram o pensador francês. A despeito das agressões promovidas pelos ocupantes de um dos poderes, o chefe de um deles - o Executivo -, transformado em líder e coordenador de atos terroristas contra o Judiciário e o Legislativo, vai-se consumando o que um respeitado jornal inglês vê como uma grande lição democrática. Diferente de outros países da América Latina, em que dragonas e galões não puseram fora do banco dos réus seus detentores, somente agora o Brasil experimenta a sensação de que não somos uma republiqueta. Muito menos nosso Poder Judiciário se ajoelha diante da prepotência de um império em marcha acelerada para o declínio. Pois o aluno destacado pelo The Economist é exatamente a terra do Tio Sam, cujo governante não se distingue dos sobas e ditadores das que se notabilizaram como partes do quintal dos pretensos donos do Mundo. Melhor, ainda, quando os erros -propositais ou não - dos membros do Poder Judiciário em nada afetaram a condução do efetivo e devido processo legal. Qualquer que seja a pena estabelecida para cada réu, o simples fato de que o processo a que responderam os acusados ajustou-se às exigências constitucionais e legais, diz muito mais do que o jus esperniandi alegaria. Ou alegará. Quase ninguém admite plausibilidade à hipótese de absolvição de qualquer dos vinculados à tentativa do golpe de estado que o 8 de janeiro de 2023 frustrou. Ao trabalho criterioso e fundamentado terá servido, sobretudo, a desfaçatez com que os próprios envolvidos na trama golpista produziram provas voluntárias contra si mesmos. Os esforços por apaga-las ou torna-las desprezíveis não conseguiu, se não como reforço e confirmação das suspeitas, influenciar o juízo que se tornará manifesto nos próximos dias. Ao contrário da tortura homenageada, como também seus praticantes, pelos cabeças do golpe gorado, nenhum destes desapareceu ou sofreu o vilipêndio justificado pelos réus da trama golpista. Por isso, o mínimo que poderemos exigir dos poderes, fechado esse período de reencontro com a dignidade, é o compromisso com a correção dos vícios e desvios em que incidem membros destacados do Executivo, Legislativo e do próprio Poder Judiciário. Até porque, o julgamento ora em curso há de ter alunos dentro do próprio País. Acompanhemo-los, portanto, se desejamos revigorar e manter o espírito republicano.

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