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Lucidez a bordo

Barcos nada bêbados, e numerosos, causaram a melhor repercussão, a parte da população atenta à COP30. A barqueata, como já se conhece o comboio fluvial que saiu de Manaus e foi crescendo sobre o rio Amazonas, chegou a Belém e marcou sua presença. Não apenas representando os professores reunidos no Sindicato ADUA/ANDES, porque o banzeiro cívico constituiu-se e se fortaleceu, graças à comunidade de preocupações, sugestões e objetivos que amalgamam a aproximação e parceria entre os segmentos sociais sensíveis às necessidades da maioria. Para tanto, as ondas do ambientalismo, do amor à Ciência, das causas raciais, dos ribeirinhos - em resumo, de todos os excluídos, levaram à realização da Cúpula dos Povos. Algo talvez surpreendente, diante da hegemonia de setores que recusam todo e qualquer avanço social e econômico que ao menos ameace a desigualdade com a qual, por bem ou por mal, somos obrigados a conviver e enfrentar. A esses setores pareceu interessante participar da COP30, em especial porque permitir qualquer restrição à fome voraz de que são insistentes e resistentes portadores, contrariaria seus próprios e danosos interesses. O documento elaborado, aprovado e divulgado pelos organizadores e participantes da Cúpula dos Povos, se não conseguirá sensibilizar as autoridades, nem por isso será abandonado pelos segmentos que o produziram e assumiram o compromisso de permanecer na luta. É o que esperam os defensores da democracia e inimigos da desigualdade. Longe de ser um um bateau îvre (barco bêbado, na tradução do título de um dos poemas mais conhecidos de Arthur Rimbaud), cada barco transportou a lucidez dos que desejam um mundo melhor.

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