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Igualemos o tratamento

Os números (ah, os números!), tão ao gosto dos que deles gostariam de dispor, prestam-se a todo tipo de análise. Volúveis como não deveriam ser, mas são, acomodam-se na cama e na mesa que lhes forem oferecidas. Topo com a expressiva cifra, pra lá de 2 trilhões de reais, que a fonte diz corresponder ao endividamento do setor privado brasileiro. Adiante, leio do acréscimo nos pedidos de recuperação financeira de poderosas empresas. Para quem não sabe, a expressão substitui a antiga concordata. Instituto do Direito Comercial, a concordata era o expediente de que se valiam empresas em dificuldades financeiras, geralmente desequilíbrio de caixa, para evitar a decretação da falência. Esta, uma espécie de irmã mais garbosa que a outra. Pelo que de benefício traz ao(s) falido(s), ao mesmo tempo em que deixa ao desabrigo os credores de todos os tamanhos, dos grandes fornecedores aos assalariados. Nem se contém as agências financeiras e o Erário! Não por descuido, o caso que se faz emblemático, das Americanas, é dado como exemplo. Dessa dinheirama acima dos 2 trilhões de reais, quase ninguém sabe. Menos, ainda, que os endividados são os mesmos que reclamam da despesa pública. Que tal igualar os que fazem investimentos com dinheiro público e privado, sem que qualquer centavo vá para os bolsos vazios dos pobres, com os gastos com a educação, a saúde, a segurança e a habitação dos mais carentes? Pois estas são as combatidas pelos que sempre estão à espera de falências altamente lucrativas. Esse, no tipo de capitalismo até agora conhecido, o melhor negócio.

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