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Ignorância funcional

Fosse menor o apetite dos órgãos de comunicação, seus profissionais e pessoas influentes incapazes de achar o útil que-fazer, por assuntos policiais, talvez pouco houvesse noticiar e comentar. Ou, quem sabe, teríamos nos meios de comunicação farto material educativo, cultural, científico e humano. Quando não é a atuação das milícias e dos policiais, concorrentes na disputa sobre quem responde pela maioria dos atestados de óbito registrados, são os crimes de outra natureza, capazes de matar no atacado. Um assalto à mão armada, quase sempre, produz menos vítimas que uma assinatura em documento oficial. A pandemia não permite pensar diferente. A impressão que me fica, diante da prática de toda sorte de crimes, é que os criminosos veem cada notícula divulgada nos jornais impressos ou não, como um certificado de eficiência. Por isso, chegam a inventar formas de manter o crime, ajustado ao conceito de crime continuado. Quem sabe não veem nessa prática uma demonstração de invulgar determinação e convicção imexível? Esmeram-se, inclusive, em eles mesmos produzirem as provas, na expectativa, se não tola, de ganhar anistia, perdão ou indulto pela conduta antissocial em que insistem. E lá vão os profissionais atrás de esclarecer os fatos, como iria um colecionador de objetos de arte às galerias. Há alguns casos em que poderiam ser dispensadas muitas das horas do trabalho rotineiro nas investigações policiais, tantas e tão contundentes são as peças fornecidas pelos próprios delinquentes. Ou há alguma probabilidade de um réu apanhado nessas circunstâncias, ser beneficiário da absolvição pelo excesso de provas? Vai ver, nesse mundo em que Ionesco e Ibsen gostariam de ter vivido, seria esse o resultado dos julgamentos. Ainda bem que a maioria dos réus jamais ouviu falar ou leu algo que mencionasse algum desses dois nomes.

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