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Humanitarismo e guerra

Há muito de ingenuidade ou excesso de romantismo na cobrança de respeito aos valores humanos, em tempos de guerra. Uma coisa e outra não combinam, a não ser que se admita tolerável a resolução de eventuais conflitos entre países pela via das armas. Ao que me parece, desde a mais remota barbárie praticada na História, até estes tempos que se pretendem pós-modernos, as ações bélicas só têm de diferentes as armas. Estas, sim, apresentam diferença em vários aspectos, sendo o mais destacado deles a sofisticação tecnológica. O que significa dizer o maior grau de eficácia, eficiência e efetividade, medido em número de mortos. As razões (pretexto será melhor dizer, por rejeição a qualquer prurido de racionalidade) da guerra só se têm multiplicado, sem que motivações anteriores tenham desaparecido. O repertório de justificativas vai desde motivos territoriais, religiosos, comerciais e políticos, com a agravante menos posta em questão - a naturalização da morte. O simples fato de que há seres humanos (e assemelhados, sem o serem completamente) que defendem o combate da violência com violência ainda maior parece demasiado evidente e autoexplicativo. Os brasileiros, mais que a maioria dos países, temos essa questão incorporada ao nosso cotidiano. A violência característica da ação dos órgãos que detêm a exclusividade do direito de uso da força, entre nós, não é diferente, se se trata do Estado ou de grupos privados armados, legal ou ilegalmente. Pior, quando se vislumbram expedientes capazes de intimidar os violentos, há quem rejeite tal tipo de controle. É bem o caso da instalação de câmeras fotográficas no uniforme dos servidores públicos no desempenho de funções policiais. Se fatos de menor repercussão, praticados em âmbito - chamemos assim - doméstico, revelam quase impossível ser humanitário, que sentido faz esperar condutas preocupadas com os valores humanos, em uma guerra entre países organizados em Estados ou à espera de ser um deles, também?

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