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Haja Poesia!!!*

A promessa feita por mim, a mim mesmo e, depois, aos eventuais interessados em visitar meu blog, foi a de ter um texto posto cada dia em CAMAROTE. Desta vez, fujo propositalmente à regra. Faço-o, com a maior alegria e o mais profundo sentimento de respeito, a reverência aos que tentam fazer deste Planeta um mundo melhor. Também fugirei à regra, ao trocar o destinatário da minha saudação e da desnecessária, mas justa louvação. Cumprimento, em primeiro lugar, a ACADEMIA PARAENSE DE LETRAS, por abrir suas portas a um dos talentos poéticos mais expressivos das últimas décadas. Dizer de JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO que é um dos mais importantes e destacados de quantos homens de letras de sua (que é a nossa) geração, no Pará, é dizer pouco. O prestígio desse dileto e fraterno amigo extrapola fronteiras, e não é de hoje. Nem obra do acaso e de conduta inspirada nos interesses pessoais e mesquinhos que costumam levar alguns ao ápice de suas carreiras. Jesus (ele me permitirá o tratamento dispensado desde nossos tempos de Faculdade) fez de sua Poesia, muito mais que o exercício de seu talento e vontade de mudar o Mundo. Colocou-o sempre como prática conducente a um mundo em que pensar, escrever, refletir, lutar e amar pavimentam uma sociedade digna de homens dignos. Não tem sido diferente a passagem de Paes Loureiro pelas diversas funções públicas desempenhadas. Nem é a cadeira agora conquistada que faz dele um imortal. Ele já gravou na memória de quantos os que dele tiveram a felicidade de aproximar-se, a imagem consolidada primeiro dentro de si mesmo, de um intelectual da melhor estirpe. Tanto quanto a de um cidadão que jamais perdeu de vista a simplicidade e a generosidade, marcantes em seus textos, poéticos quase sempre. Mesmo a prosa por ele produzida, embebe-se de riqueza e refinamento nem sempre à vista de muitos de seus contemporâneos. As homenagens manifestas nas mensagens que até aqui consegui conhecer são apenas pálida amostra dos merecimentos do mais novo membro da APL. A elas junto meu abraço fraterno, com o sentimento de que o ganho maior está para a instituição, ao ter dentre os que lá mantêm viva a cultura, um dos poetas – e homens públicos – mais inspirados do Brasil. Não peço desculpas, com a hipocrisia tão costumeira, por ter em Jesus um dos mais diletos e queridos amigos. Tenho na convivência próxima com ele, apenas a oportunidade de conhecê-lo mais e melhor, o que me ajuda a fazer Justiça. Estendo à Violeta, flor-rainha do jardim do poeta; ao Wálter e ao Pedro, filhos que lhes deram os netos que empurram a Vida para adiante, sem que outros parentes e amigos sejam deslembrados, o monumental e amazônico abraço do irmão. Bubuiemos todos! Assim saberemos beber da sabedoria dos que admiram a Poesia, ainda mais, diante da obra de quem fez dela seu caminho, como diria Machado. São assim as coisas dos poetas...

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*O editor deste blog, José Seráfico, escreveu o texto, 10 minutos após saber da escolha de Paes Loureiro para integrar a Academia Paraense de Letras. A amizade do editor com o poeta vige há mais de 60 anos.

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