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Fariseus, não mais

Os ataques, ameaças e todo tipo de perseguição tentado contra o sacerdote católico Júlio Lancelotti não são mais que a revelação dos duros tempos que vivemos. Se, na Idade Média, a Inquisição dava conta de eliminar os diferentes (na fé, na conduta pública, na curiosidade que leva ao conhecimento científico), agora o patrocínio, o estímulo e o apoio à violência partem de autoproclamados cristãos. Episódio dos mais marcantes e abjetos, a agressão a pontapés de uma imagem de santo católico por praticantes de um tipo de cristianismo enviesado não é fenômeno isolado. Nem se restringe às seitas evangélicas, não raro absolutamente avessas aos preceitos contidos nos documentos que alegam conhecer e praticar. Mesmo em alguns círculos da Igreja Católica Apostólica Romana se encontram praticantes desse espúrio tipo de cristianismo sem Cristo. Aqueles que desobedecem e agridem Francisco, o líder religioso mais afeito e ajustado aos valores e às posições defendidas e disseminadas pelo andarilho da Judeia, faz cerca de 2 milênios. Os mesmos que encaram como normal e desejado pelo líder a que hipocritamente se dizem obedientes a desigualdade que se espalha pelo Mundo. Pior, capazes eles mesmos que defender ações capazes de condenar à morte os que, também falsamente, dizem considerar semelhantes. É disso que se nutre esse tipo de "cristianismo", como se a pobreza generalizada fosse fenômeno natural, agradável ao inspirador da Igreja de Pedro. Desses é que Júlio Lancelotti se tornou alvo. Cortejasse ele os palácios e gabinetes em torno do qual voejam os sacripantas e oportunistas de todo matiz, por certo estaria misturado com os proclamadores de uma vida eterna cheia de glória, enquanto enchem suas próprias burras das cédulas que, tanto maiores o sejam, menos dignificam a vida humana. Ainda bem que não estão mortos, nem desistem de sua dedicação à melhor causa, aqueles que seguiram a opção pelo nazareno e seus doze companheiros na jornada inicial. Fazer sua a causa que à maioria do povo interessa e morrer por ela, ainda bem, teve em Jesus apenas um marco histórico. Talvez o mais generoso e permanente. Depois, muitos outros tentaram seguir-lhe o exemplo, ainda que por caminho diferente. Basta conhecer a História, para constatar como a presença do filho de José e Maria se manifesta em outros dos que realmente acreditam nas palavras, nas práticas e no discurso do líder dos primeiros apóstolos. Sem deles ser cobrada a fidelidade canina (do Cão, neste caso) dos que, usando o nome do grande homem que dividiu a História, tratam de tirar proveito próprio de tão trágica conduta. Júlio Lancelotti, e quantos mais dão seu melhor testemunho! Deles é que se pode vir a mudança do Mundo. Como o Homem Maior, sabem-se fazer homens, sem o apelo à hipocrisia e à mentira, obra desses "cristãos" sem Cristo.

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