Estranha liberdade

Vivemos tempos no mínimo confusos. As contradições afloram em textos e declarações, algumas vezes atribuíveis à leviandade com que os assuntos são tratados, podendo ser atribuída a não sem quantas causas. Suponho que dentre estas podem ser incluídas a ignorância a respeito da matéria e a desonestidade intelectual. Todos se acham no direito de opinar sobre todo e qualquer problema ou assunto, mesmo se rasteira a informação acumulada sobre o objeto do debate. Outras vezes, ocorre de o pretenso analista acumular razoável conhecimento, mas o atrelamento a alguma ideologia ou corrente de pensamento o faz desprezar a verdade. Neste caso, não só há o sacrifício da verdade, mas o arrazoado perde substância, expondo a fragilidade intelectual ou mental do autor. Tem sido frequente, hoje, ouvirmos e lermos comentários desprezíveis, porque contraproducentes, seja à elucidação do problema. seja à imagem do.autor. Detenho-me, especificamente na defesa da propagação de fake-news, sob o pretexto de assegurar a liberdade de expressão. Por tudo quanto sabemos, os prejuízos causados a terceiros pela disseminação de mentiras só pode merecer o aplauso ou o acatamento dos que têm interesse nela. É como se cada qual.pudesse agir e falar segundo sua própria vontade, sem a menor consideração pelo outro. Nada mais que o regresso a um tempo em que sequer se poderia cogitar do que modernamente chamamos ordenamento jurídico. Não se conhece sociedade moderna, sem que a Lei - em seu conjunto chamada ordem jurídica - indique os limites em que a liberdade individual deve conter-se. A persecução judicial, sempre possível quando há delitos praticados, não elimina a obrigação de o Estado prevenir a ocorrência do delito. Até porque, nas repúblicas, a proteção dos direitos coletivos e o interesse público sobrepõem-se aos interesses e direitos individuais, salvo aqueles que dizem respeito à cidadania. À parte a desonestidade intelectual, percebe-se acentuada carência de conhecimento das noções de liberdade e República em boa parte dos pretensos analistas.

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