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Estarrecedor...

...mas nem tanto. O estarrecimento atingiria grau elevado, se práticas e costumes de uma república que teima e resiste em consumar-se fossem diferentes. Ao contrário, as práticas e os costumes de que tratamos, de tão rotineiros parecem consagrar nas atividades políticas e administrativas uma variedade de república que a Montesquieu nem foi dado cogitar. Refiro-me, especificamente, à imoralidade do PL que pretende anistiar os terroristas envolvidos nas ações cujo clímax - e frustração - aconteceram no dia 8 de janeiro de 2023. Se a proposta em si, exibe o propósito maligno que o inspira, a forma que o empurra para a frente agride todo e qualquer, mínimo que seja, valor vinculado à civilização. O regime de urgência conferido ao PL é apenas um agravante do objetivo imoral que o originou. Nada mais que a tentativa de preservar o resto - se houver- de honra de uns e outros parlamentares com assento no plenário da Câmara dos Deputados. Na votação mais ampla, o oásis de honra de alguns, a minoria já se sabe, poderia causar-lhes um inocultável constrangimento. Não ficariam bem na foto. Por isso, pretendem ocultar-se no expediente da urgência. Quando está em mais de dois mil o número de pedidos de urgência registrados e mantidos em gavetas fechadas a sete chaves, nos gabinetes da mesa diretora dos trabalhos. Sendo assim, tenta-se aliviar a condição dos réus de crime contra o Estado, a população e a democracia, praticando outro crime. É certo que o STF encontrará mil razões para desconstruir a trama duas vezes criminosa. Se o fará, ainda não se sabe. Mesmo arriscando acumpliciar-se com os autores do crime de responsabilidade. No caso, os donos das gavetas em que repousa a urgência das centenas dos PLs anteriores.




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