Entre o cívico e o político
- Professor Seráfico

- 8 de set. de 2023
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Todo ato cívico será, por definição, um ato político. Nem todo ato político é um ato cívico. A política, essencial à condição humana como o disse Aristóteles, é continente, onde o civismo é conteúdo. Este cabe naquela, pois uma - a Política, é maior que o outro - que dela é parte. Quando os delinquentes invadiram o Palácio do Planalto e promoveram sua parcial destruição, em 8 de janeiro, eles praticavam um ato político, embora não contenha esse algum conteúdo cívico. Ao contrário, as violências ali registradas têm mais a ver com a barbárie, não com algo de algum modo aparentado à civilização. O mesmo que, no ano do bicentenário da Independência, ocorreu em Copacabana, sob a presidência do bárbaro que presidia o País. Ambas as manifestações, distantes 4 meses entre si, são exemplos da profunda incivilidade de seus promotores, financiadores e executantes. Ambas diferentes da solenidade de que Brasília foi palco, na quinta-feira desta semana. Todas as três ocorrências, políticas; apenas a última merecendo a classificação de cívica. A proclamação odienta e odiosa de 7 de setembro de 2022 e o vandalismo de 08 de janeiro de 2023 nem se aproximam do simbolismo do desfile militar do 7 de setembro de 2023, uma cerimônia à altura da importância do Brasil no cenário internacional. Luis Inácio Lula da Silva, que não aprendeu a matar e preferiu e prefere aprender coisas mais edificantes, deu mais uma vez mostra de sensibilidade política e respeito à democracia com um simples gesto. Convidando o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças Armadas a juntarem suas mãos à dele, Lula criou imagem a ser guardada na memória de todos os brasileiros das atuais e de sucessivas gerações. E concorreu para estabelecer a diferença entre civilização e barbárie.

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