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Distante de Dali e ele daqui

Salvador Dali se espantaria se voltasse ao mundo. O surrealista se sentiria mal e deslocado, tamanha a carga de surrealismo que pesa sobre os habitantes do Planeta. A tal ponto, que as contradições são registradas e não causam o menor constrangimento nos que as endossam e aplaudem, mesmo com grau de preocupação zero por conhecer suas causas. Dispensam-se trabalhos e pesquisas acadêmicas, ainda quando o esforço dos pesquisadores e cientistas tenta apenas conhecer as razões primeiras e mais profundas dos fenômenos com que lidam. Disso sabem os que se mantiveram informados durante as fases mais agudas da pandemia. No Brasil, voltamos às primeiras décadas do século XX, colocando em xeque os resultados dos programas de vacinação que pouparam e ainda poupam tantas vidas. Em especial, a vida das crianças. Os agressores da vacinação, os mesmos que proclamam seu amor à vida e tentam punir as vítimas de estupro, caso elas não desejem carregar por toda a vida o fruto de um crime por terceiro praticado. Essa, porém, é apenas uma das facetas sob que se mostra o surrealismo que a Dali assustaria. Outra delas, perceptível a olho nu, relaciona-se ao papel que um tipo de profissional ainda sem nome em português (porque se os chama influencer) exerce na sociedade e na vontade dos que o seguem. A tal ponto se manifesta essa influência, que o Brasil ocupa a segunda posição, quanto à quantidade deles. No primeiro lugar vêm as Filipinas. Esse lugar, porém, é ocupado pelo Brasil, no que concerne ao número de seguidores. Ou seja, ao mesmo tempo em que se discute a inconveniência de ter candidatos aos postos eletivos que não chegaram ao nível escolar superior, admite-se ser influenciado por alguns profissionais que mal conseguem redigir uma simples mensagem na língua nativa. Nosso surrealismo supera qualquer hipótese razoável, cedendo lugar a uma dúvida que mesmo talvez Freud tivesse dificuldades em diagnosticar: somos apenas contraditórios ou todos não passamos de paranoicos?

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