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Dilema

O brasileiro que acompanha o noticiário não tem como fugir ao novo dilema. A dúvida resulta do escândalo provocado pela liquidação do Banco Master, razão de verdadeira novela a que a sociedade dá bom índice de audiência. Parece até menor o interesse com o tamanho do golpe - por enquanto, estimados 12 bilhões de reais, comparado com as personagens por algum motivo envolvidas. Pelo menos, duas delas integrantes da cúpula do Poder Judiciário. Não é o mesmo, porém, o grau de envolvimento de uma e outrs dessas personagens/personalidades. Da parte do Ministro Alexandre Moraes, parece já ter sido dada a explicação, provada a legalidade do contrato entre o escritório de advocacia de sua mulher e o banco liquidado pela autoridade monetária, o BCB. Trata-se, portanto, de uma questão ética. Maior que este, todavia, é o grau de comprometimento do Ministro José Antônio Dias Toffoli, relator do processo no STF. A intimidade que o magistrado mantém com defensores judiciais do golpista Edson Vorcaro não é tudo quanto configura a esdrúxula decisão de determinar o sigilo das investigações. A decisão de promover a acareação de dois supostos implicados na fraude, antes mesmo de haver a audiência de qualquer deles, acrescenta gravidade à questão. E - pior para Toffoli - estabelece dúvida a respeito de sua conduta, aparentemente protetora de Vorcaro e sua turma e de outros suspeitos, inclusive membros do Congresso Nacional. Sobre a (in)competência técnica e o escasso conhecimento do Direito, depunha contra o torcedor do Palmeiras sua desaprovação em dois concursos públicos para a carreira jurídica. Agora, a ratificação dessa escassez é acrescida da suspeita de que o ministro também agiu à margem da Lei. Não se sabe, contudo, até quando o dilema incompetência - desonestidade se manterá de pé.

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