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Deus e religião hodiernos

Do mercantilismo até aqui,o capitalismo atravessou várias fases. Muito o têm, hoje, como o momento pós-industrial. Significa dizer que foi ultrapassado como prioridade do processo de acumulação o esforço pela produção. Pelo menos, no que diz respeito à transformação de matérias-primas em bens materiais, de uso individual ou coletivo. De qualquer maneira, à satisfação de necessidades comuns a todos os membros da sociedade. Uns, demandando mais que produtos voltados à satisfação de necessidades sentidas por todos os indivíduos e, para outros, a disponibilidade de artigos de luxo ou ostentatórios, em geral acima da capacidade aquisitiva da maioria das populações. Um nível, portanto, diretamente ligado à crescente desigualdade na apropriação da riqueza resultante. A tal ponto esse processo de acumulação ganhou em iniquidade, que acabou por transformar-se num grande divisor, mais profundo e voraz que a chamada sociedade de classes trouxe, ao definir os protagonistas da luta política e social pelo poder - burgueses e proletários. Ou capitalistas e trabalhadores. Nesse processo social, não se tem praticado outra coisa, senão a exclusão e a pauperização de expressivo contingente da população do Planeta. A esse fenômeno estão ligadas práticas como a terceirização, a chamada pejotização, a quarteirização, um perverso empreendedorismo, a que não escapa sequer o trabalho sob regime de escravidão. Chama-se a esse trágico momento patrocinado pelas elites econômicas e políticas - estas sob batuta dos maestros da acumulação - de financeirização da economia. Quando melhor seria denomina-la exploração ostensiva. Muitos do que a praticam alegam ser essa a missão dos homens de bem, devotados à mais fervorosa fé religiosa. Esquecem de dizer o mais justo: homens de bem, dedicados a venerar o deus mercado.

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