Dentro do way of life
- Professor Seráfico

- 25 de ago.
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O pós-guerra produziu projetos de império que só agora parecem em acelerado processo de extinção. Yalta inaugurou o que mais tarde seria chamado guerra fria, destacando o protagonismo dos Estados Unidos da América do Norte e da União Soviética. Nesta, o que restara do império do czar Nicolau. Sob a influência dos norte-americanos, incluíram-se desde o Japão e a Europa, as nações que James Monroe elegeu como seu quintal. Da China, pouco de sabia, à época. Partilhado, o espólio continuou a ser disputado pelos dois centros de decisão. Reconstruída como purgação pelas explosões da bomba atômica, a nação de Hiroito passou a ocupar posição importante no cenário internacional. O pudor de ser responsabilizado pelo caos planetário impediu, durante a guerra fria, que os governantes das duas potências reproduzissem Nagasaki e Hiroshima. A emergência política de nações africanas e asiáticas levou-as ao rompimento com as metrópoles, mas isso não fechou a porta aos apetites e ambições dos que ganharam a guerra quente, em 1945. A queda da temperatura, entretanto, não bastou para saciar a voracidade dos donos do Mundo. Daí a sucessiva quebra dos compromissos assumidos pela União Soviética e os Estados Unidos da América do Norte. Desfez-se o Pacto de Varsóvia, ao mesmo tempo em que a OTAN se espalhava pelos continentes. Israel impediu a criação do Estado palestino. A ONU, como sua antecessora Liga das Nações, acumulou fracassos. Dissolvida, a União Soviética viu a migração de algumas das nações chamadas satélites para o âmbito onde a OTAN impõe os interesses norte-americanos. O quanto bastou para que um autoritário republicano chegasse ao poder e deixasse transparente seu propósito de ir mais longe. A Grande América se pôs num caminho que se tornaria o que um dia foi o sonho do império britânico. Território onde o sol nunca se punha. Enquanto isso, a China preparava-se para a vingança. O rótulo tigre de papel, com que os donos do Mundo tentaram reduzir a influência potencial do império milenar, trabalhou, cresceu e se tornou a maior ameaça aos candidatos ao posto de imperador do Mundo. Em todo o trajeto resumido aqui, aprofundaram-se as desigualdades, golpes de estado agrediram a vontade das nações, mundo a fora. Muitos países se viram invadidos, quase sempre a soldo ou em nome da pátria de Monroe. Chegou o momento, porém, em que muitas das nações humilhadas e exploradas conseguiram superar, sobretudo, o medo. É a hora em que surge o BRICS, cujo nome já diz pouco, tantas as nações que aderiram às cinco fundadoras, além de numerosas outras que manifestam o desejo de aderir. Por isso, o império norte-americano teme - e treme. Não são apenas manifestações realizadas no exterior que revelam estarmos testemunhando um momento em que se abrem os horizontes do Planeta. Dentro do próprio território em que Trump desempenha seu talento autoritário, avoluma-se a resistência. Mesmo propondo o uso das mesmas armas com que age o republicano Trump, o governador da Califórnia levanta-se contra o atual detentor do botão que poderá detonar todo um arsenal atômico. Isso, todavia, tem antecedentes na História do país de ambos. Enfim, apenas a revelação de toda a História iniciada com o desembarque do May Flower.

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