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De ponta-cabeça

Estranhos estes tempos que vivemos. Multiplicam-se os deuses, como se produtiva e incansável fábrica os replicasse, com velocidade bem maior. Desta vez, em ritmo – e tom - furioso, segundo os fins a que se destina cada uma dessas novas divindades. É em nome delas que ingênuos fiéis são coagidos, fazendo de supostos templos não mais que espaços de arrecadação - de dinheiro. Com este, comodidades e bens patrimoniais para os sacerdotes dessas estranhas seitas. São os mesmos, também, os deuses que condenam à morte mães que não poderiam sê-lo. Pior que isso, troca-se a vida do que já vive pela expectativa de vida que ainda está por vir. Se virá ou não, isso é o que não interessa aos evangelizadores avessos que dominam quase todos os cenários. A ponto de alçar o estupro à condição-matriz de uma nova humanidade. Tudo em nome de deuses de que não se conhece a face, porque escondida em rostos supostamente pios, em seu culto fanático a Caronte – de todas, a maior dessas entidades escondidas. Inventam-se histórias e disseminam-se mentiras, como se a mentira alimentasse a ilusão da divindade. Já não basta a apropriação de qualquer nesga de terra sem dono, impedindo-a de acesso pelos que nunca tiveram nada. Nem têm a esperança como companheira de caminhada. Antes rejeitados pelas religiões, os jogos de azar ganham espaço, para que o ganho dos sacerdotes dessas seitas ensandecidas prospere. É o universo sem verso, que proíbe o pensamento e tudo o mais que é diverso, em um planeta totalmente subverso.

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