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De liras e Nero falando

O anúncio da criação de um bloco de cinco partidos, constituído de 142 deputados tem levado a destacar o enfraquecimento do poder do Presidente da Câmara, Arthur Lira. Alçado à condição de Primeiro-Ministro de uma república, o parlamentar alagoano fez reféns todos os contemporâneos que ocuparam o principal gabinete do Palácio do Planalto. Um dos principais articuladores e operadores do Centrão, Lira ameaçou o que seu antecessor romano fez em Roma. Ele pôs em risco a estabilidade política e não raro tocou fogo nos ambientes em que o entendimento e a conversa bem-intencionada fundamentam o exercício político. Esse espaço em que as vontades, pessoais e coletivas, se exercem com maior vigor. Agora, é Arthur Lira quem se vê desafiado. Convenhamos que 142 é número expressivo, capaz de levar à condição de maioria a soma dos que dão apoio ao governo Lula. As motivações dos deputados que racham o Centrão certamente são as mais variadas, nem toda elas deixando prever atuação mais voltada para o bem público e a defesa dos segmentos sociais mais fortemente punidos pela desigualdade. De qualquer maneira, quais as razões por que cada um dos componentes do novo grupo tiraram de Lira o instrumento que ele se acostumou a manejar, é matéria a entreter os círculos governamentais. Que também não podem deixar de preocupar-se a respeito do custo de um eventual apoio às propostas saídas do Palácio do Planalto e gabinetes subordinados. Aos analistas políticos, jornalistas e estudiosos da Política, porém, deve interessar a folha corrida de cada um dos aderentes dessa nova bancada. Das peculiaridades e vocações dos membros da bancada dos (chamemos assim, à falta de expressão mais exata) desgarrados é que se poderá chegar à compreensão do fenômeno. A deserção frequente de supostos defensores de valores e propósitos proclamados em alto e bom som não é novidade. Em Política, e em tantos outros terrenos menos cediços. Pode-se apostar que muitos dos deputados que hoje participam do grupo dos 142, estarão todos os que, acostumados à sombra do poder, preferem acomodar-se às novas palavras de ordem. O valor objeto de seu cultivo e compromisso é um só: com o governo, seja ele qual for.

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