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De chiqueiros falando

há 6 horas
2 min de leitura

Muitas das vozes aparentemente indignadas com a mixórdia em que se vem transformando o Poder Judiciário são as mesmas que incidem em erros de gravidade em nada diferente, ou mais rasa, que a dos magistrados sob suspeita. No ambiente das comunicações, agora ainda mais poluído pelas redes ditas sociais, não faltam exemplos. Quando até o ultraconservador Estado de São Paulo busca fugir ao mau conceito gerado pela orientação editorial por tanto tempo seguida, a rede Globo recua do que parecia uma confissão de culpa e purgação de pecado. Vão perdendo a confiança da sociedade, também, os meios de comunicação, desinteressados em promover pesquisas que ponham em dúvida a pretensa neutralidade de que se dizem portadores. É certo que, aqui e acolá, alguns dos profissionais dos mais importantes meios de comunicação destoam das preferências e arriscam perder seus empregos, por causa disso. Também neste caso, não têm faltado exemplos. Empenhados na cruzada anti-cristã de Sérgio Moro e seus asseclas, os mais importantes órgãos de comunicação incorporaram os valores, validaram os procedimentos do ex-juiz paranaense e lograram adeptos e louvadores das formas autoritárias com que o hoje senador se tem comportado. A Justiça, porém, falou mais alto. Mesmo assim, muitos dos membros da mais alta corte não tiveram a lucidez - se não é dizer pouco - de refletir adequada e desinteressadamente sobre suas próprias responsabilidades, servidores públicos que todos são. As muitas vozes que se fizeram ouvir e os pronunciamentos supostamente indignados a respeito das irregularidades e erros cometidos por seres humanos tanto quanto o são os profissionais das comunicações, acabam de tornar-se peças de ficção, diante da repetição de procedimentos por eles mesmos falsamente criticados. Assim, enquanto desviam a atenção dos leitores e ouvintes dos reais problemas do País, como sócios disfarçados concorrem para a destruição do próprio Poder Judiciário. O tratamento dispensado a este ou aquele candidato, usa como régua uma ética esquisita, a mesma que vê a mentira e a hostilidade ao Direito como algo digno de uma sociedade democrática. O cancelamento do debate em que a Globo teria investido pesada verba, portanto, diz muito mais que a despesa feita. Mais, ainda, que a substituição de razões por meros e oportunistas pretextos. Se à maioria dos jornalistas, da Globo, do Estado de São Paulo e de tantos outros de seus congêneres, não cabe atribuir críticas tão pesadas quanto a que merecem seus chefes, o mesmo não pode ser dito em relação a estes. Ainda mais, quando o inglês The Guardian indica as novas formas e recursos com que assemelhados ao IBAD e IPES vêm atuando para sujar as eleições presidenciais do Brasil. Afinal, uma só coisa se torna transparente e coerente, no lamentável quadro da política e das comunicações: às vésperas do que pode transformar-nos no quintal, os porcos tratam de arranjar espaço para sua sobrevivência.

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