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Crime continuado

Se ainda havia alguma dúvida sobre o crime continuado, a tentativa de golpe ora investigada já eliminou tal possibilidade. Embora o grosso da peça que a PGR enviou à Procuradoria Geral da República contenha fundamentos consistentes para tornar réus os indiciados pela Polícia Federal, cresce o registro dos crimes em série. Do que logo se poderá ampliar o rol de novos indiciados, seja dentre os financiadores e criadores, quanto dos executores da delinquência e de seu processo. Desta vez, veremos aumentar o número de militares delinquentes, ao lado dos quais aparecerão os meliantes civis. Mais clara fica, também, a adesão do almirante Garnier à aventura golpista que se desenvolve desde novembro de 2022. Exatamente, o dia em que o Presidente Lula e seu vice receberam o diploma eleitoral consagrador da decisão do eleitorado brasileiro. Daí em diante, desenrolou-se o novelo de que tratam a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República e o STF. A reação, esperada por quem conhece a conduta e a vida dos agentes dos delitos, consiste em tentativa de negar fatos por eles mesmos comprovados. Tal comprovação, antes suficientemente firmada, só se tem agravado, com fartura de evidências. Algumas expressões usadas nos documentos trocados entre os golpistas removem qualquer dúvida. A operação é chamada 142, o artigo da Constituição que os criminosos entendem autorizatório do crime. A expressão recusa a que Lula, eleito pelo voto popular, suba a rampa do Planalto é outra dessas criminosas manifestações. Tão grave quanto saber-se que o almirante Garnier estava com seus tanques (mantidos com dinheiro de todos os brasileiros) "prontos". Não eram tanques com água, a despeito de comandados pelo oficial golpista, das forças do mar. Mais se empenhem os policiais federais, mais atos ofensivos às leis e à Constituição eles encontrarão. É certo que no Congresso já há defensores da anistia para os homicidas frustrados, no único dos crimes que não pode passar de tentativa. Todos os demais se consumaram, ainda que sem causar qualquer surpresa para os que têm acompanhado a infame e vergonhosa trajetória da maioria dos envolvidos. Muitos dos quais, de olhos postos no fatídico 01 de abril de 1964, permanecem vendo o mundo e a sociedade brasileira como os viam os golpistas do passado. Sequer atualizados eles são, já que vê-los como seres humanos dotados da mínima que seja, mas presente, inteligência equivaleria a encontrar pelos em casca de ovo. Por isso, a exceção à conduta unificada e ordenada lhes parece o verdadeiro delito a punir. Há outros, além do general Freire Gomes, que se interessam por viver a época em que tem curso sua vida. Também é outro o sentimento da sociedade, e são diferentes as relações internacionais, comparativamente aos anos de fezes e chumbo que os delinquentes tanto relembram e cultuam. Dizer "NÃO" ao projeto de anistia que alguns propõem é atribuir inocência nada útil a quem não oferece nenhuma das duas condições - a irresponsabilidade pelos atos criminosos de que as investigações tratam e a utilidade que a remuneração que seus maus serviços não justificam.

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