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Coveiro imperial

Homem de televisão mais que político, candidato à condição humana sem muito êxito, empresário portador de vícios a que não acode qualquer virtude, Donald Trump parece ter um só interesse - ganhar dinheiro. Tudo o mais não lhe desperta qualquer apetite, quando não é motivador da mais injustificada aversão. Sua compulsão por manter-se nos media revela-se a todo momento, mesmo com o risco de expor o ridículo e patético de sua personalidade. Por isso, a aparência errática de sua conduta, como se tem visto com frequência. Nenhuma figura da política internacional chegou ao ponto alcançado por ele, figurante adequado ao papel que o faz tornar-se marcante na decadência de um império. Tudo, para o asqueroso manda-chuva, resume-se a dinheiro. Volta e meia, quando sente improvável o êxito da brutalidade e rejeitada a satisfação do apetite doentio, ele fala em comprar - territórios, governos, empresas, pessoas, o que constitui objeto de ambição desmedida. Comprar e vender, eis a que se resume seu escasso repertório. Outros, dentre os que o invejam não por ainda insuspeitada e ignorada virtude, mas pelo que de maléfico e nocivo nele se contém, recusam o papel de coveiro. Mesmo se os fatos, para muito além do símbolo, expressam o contrário. Com Trump não é assim. Ele assume o que parece contido no script original. É coveiro, simbólica e realmente, e não faz a menor questão de esconder sua preferência. Desde que isso lhe satisfaça a ambição e assegure cofre cheio. A História reserva a ele um título que nenhum outro imperador, veraz ou de araque, conquistou - coveiro de um império.

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