Construção e desconstrução
- Professor Seráfico

- 17 de ago. de 2025
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Somos todos os habitantes do Planeta testemunhas de acontecimentos que sugerem um ponto de inflexão. Houve outros, nos mais de dois milênios que nos separam de um dos maiores lideres políticos e religiosos, Jesus. Há quem considere ter o líder dos 12 andarilhos que percorreram a Judeia introduzido o sentimento do Amor nas relações humanas. Antes dele, e o Velho Testamento o comprova vigorosamente, reinavam a violência e outros sentimentos. Depois dele, e por seu sacrifício em prol de uma causa sobretudo política, mudaram o discurso e as práticas que lhes correspondiam. Antes de completado o quinto século d.C. chegava-se parcialmente a um dos resultados buscados pelo homem que, como castigo, morreu na cruz. A queda do império romano do Ocidente, em 453, marca a passagem de uma para outra fase da História Universal. O processo político que Jesus iniciou, só em 1476 foi completado. O império romano e todo o poder que ele representou extinguiu-se, desde a queda de Constantinopla. Ao longo desse período, ocorreu a Revolução Francesa, que repercutiu em todo o Planeta e gerou novas formas de ver o Mundo e de estabelecer novas bases nas relações humanas. No bojo do processo histórico, interpretações as mais diversas e em todas as áreas do conhecimento tentaram explicar o Universo e se foram gradativamente distanciando das propostas e ideias deixadas pelos pensadores antigos, inclusive as propostas defendidas pelo nazareno e a grei que o acompanhava. A Revolução Industrial e o avanço tecnológico incumbiram-se de promover profundas, abrangentes e velozes alterações no mundo físico, tanto quanto nas relações sociais. Nestas, avulta a separação entre o trabalho e a riqueza, de que resultou a criminosa e anticristã desigualdade característica de nossos dias. Do ponto de vista da tecnologia, o Planeta tornou-se uma aldeia global, como oportunamente o disse Marshall Mac-Luhan. Houve momento em que seria legítimo alimentar certo otimismo, quando se pensava ter sido derrotado nos campos de batalha da Europa e Ásia o egoísmo malsão com que ainda hoje convivemos - só que de forma cada dia mais acentuada. Talvez ninguém o disse melhor que Caetano Velloso, em sua belíssima canção Sampa: o dinheiro constrói e destrói coisas belas. A isso nos trouxe o processo de exploração (da natureza e do homem) e acumulação, no movimento dialético que o caracteriza. Depois de matar mais de seis milhões de judeus, e passado quase um século, a pretensão de criar um império de duração milenar como o quis Adolph Hitler, ressurge no ambiente que é a casa comum da sociedade humana. Desta vez, sem o bigodinho, mas com o mesmo ódio por tudo quanto parece diferente dos novos candidatos a imperador. Se, em Israel, o holocausto é copiado pelos que perderam ancestrais no século XX, no chamado Novo Mundo é um descendente dos passageiros do Mayflower que se encarrega de nos remeter ao trágico passado. Com arrogância e autoritarismo impossíveis de conciliar com os valores proclamados pelos iluministas e os fundadores da Idade Contemporânea. Por isso, e porque o desespero costuma ocupar as mentes desse tipo de ser ao qual é até duvidoso chamar de humano, as previsões coincidem: estamos diante de um império em ruínas. Se ele se dará com a passagem da população planetária para uma sociedade do Amor e da Paz, ou se teremos que contar os escombros de que temos notícia desde Nagasaki e Hiroshima, ainda não se sabe.

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