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Coincidência desejada

O mundo surreal em que vivemos cada dia consegue superar-se a si mesmo. Não fosse a perversidade revelada, seria de destacar a criatividade posta em tão demeritória obra. Constituída para gerir o interesse público dos munícipes, a Prefeitura não se contenta em apenas premiar seus favoritos, como tem a audácia de postular no Judiciário, ou recorrer, quando seu pleito é desatendido, em desfavor da população. Decretar a majoração do preço do transporte coletivo, além de fazer-se à revelia dos interesses dos usuários, como o fez a Prefeitura Municipal de Manaus, diz das preferências dos gestores. Mostra-os como agentes e protetores, para não dizer sociais, dos que vivem de explorar os cidadãos maus carentes, comprometendo a legitimidade de seus lucros, com frequência tisnados pela cinza de condutas ilegais. É perversa e solertemente escondido o fato de que os concessionários dos serviços de transportes coletivos de Manaus sequer cumpriram o mínimo de suas obrigações. Diga-o o tamanho da frota de ônibus em operação na capital amazonense. Para ficar apenas nesse exemplo, tanta a proteção recebida pelas empresas, de parte da Prefeitura. A única esperança da população é ver o Ministério Público manter-se firme no cumprimento de seus deveres constitucionais, como legítimo representante dos interesses da população. Só assim chegará o dia em que os gestores públicos submeterão sua vontade e seus interesses pessoais ao primado da Lei. A convergência entre esses interesses e propósitos, então, coincidirá.


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